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Nº 5714
Opinião

Pele alvo .

Dados do relatório “Pele Alvo: a Cor que a Polícia Apaga”, divulgado ontem com base em dados das secretarias de Segurança Pública, mostram que pelo menos cinco pessoas negras foram mortas por dia em ações policiais, em 2021, nos estados monitorados pela R

Por Editorial | Edição do dia 18/11/2022 - Matéria atualizada em 18/11/2022 às 04h00

Dados do relatório “Pele Alvo: a Cor que a Polícia Apaga”, divulgado ontem com base em dados das secretarias de Segurança Pública, mostram que pelo menos cinco pessoas negras foram mortas por dia em ações policiais, em 2021, nos estados monitorados pela Rede de Observatórios em Segurança Pública. Das 3.290 mortes em operações policiais, 2.154 vítimas (65%) eram negras (pardos e pretos).

Apesar do elevado número de mortes em decorrência de ações policiais – 12,9% de todas as Mortes Violentas Intencionais (MVI) do país - o Brasil viu este número cair pela primeira vez em 2021, quando 6.145 pessoas foram vitimadas, redução de 4,2% em relação ao total de vítimas do ano anterior (e de 4,9% se considerarmos a queda na taxa de mortalidade). Entretanto, o perfil das vítimas de intervenções policiais no país não tem demonstrado mudanças significativas ao longo dos anos, com prevalência de homens, adolescentes e jovens, pretos e pardos entre as vítimas. O fato é que os negros são as maiores vítimas não só dos criminosos, mas também da polícia. Diversos estudos mostram que a proporção de pretos e pardos entre os mortos pela polícia é maior que na população. A probabilidade de negros morrerem em confrontos com a polícia é muito maior nas favelas, que são os locais onde o número de mortos é maior. Entretanto, a diferença entre brancos e negros continua desproporcional quando consideradas outras áreas urbanas. Além de ser a maior vítima da violência policial, a população negra lidera também as estatísticas gerais de assassinatos. Segundo o IBGE, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes para a população negra é de 46,3 (1,9 vez a dos brancos). Deve-se ressaltar que o racismo que vitima os negros brasileiros não resulta de uma característica exclusiva das polícias. Trata-se, na verdade, de uma demanda social estrutural, institucional e histórica, que reservou ao negro um papel subalterno mesmo após a abolição oficial da escravatura. Ou seja, é um problema social amplo que exige políticas públicas específicas e contínuas, mas, sobretudo, uma mudança de mentalidade.

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