Opinião
Verdade incômoda .
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Celebra-se neste domingo, no Brasil, o Dia da Consciência Negra. O 20 de novembro foi escolhido para essa celebração porque, de acordo com historiadores, foi nesse dia que morreu Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, localizado onde hoje está o município de União dos Palmares.
O Dia da Consciência Negra – instituído oficialmente em 2011 – é visto como uma forma de promover a conscientização e a reflexão a respeito da relevância da cultura e do povo africano na formação de nossa própria cultura. Também é um momento de refletir sobre o racismo que teima em sobreviver na sociedade brasileira. Este ano, a efeméride coincide com o início da Copa do Mundo de futebol, disputado no Catar. Os jogadores negros brasileiros são responsáveis por muito do sucesso da pentacampeã seleção canarinho, além de serem destaques nos mais importantes clubes do mundo. Entretanto, apesar de todo o talento com a bola nos pés, ainda encaram práticas recorrentes de intolerância e discriminação racial no futebol, dentro e fora dos campos. O futebol é um esporte que consegue reunir pessoas das diversas nacionalidades, cores, raças, religiões, mas também vem sendo assolado por episódios de intolerância e racismo. Desde a década de 1950 que existem leis antidiscriminação racial no Brasil, e com a Constituição de 1988 o racismo foi transformado em crime inafiançável. Mesmo assim, percebe-se na prática que leis não são suficientes para mudar as estruturas sociais e econômicas que alimentam o racismo. Apesar de serem maioria da população brasileira, os negros aparecem em estatísticas de forma desfavorável. No Brasil, os negros são as vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais. O ideal seria que não fosse necessário criar um dia para trazer essas questões à tona. Entretanto, o País ainda tem uma dívida histórica com a população negra e está longe de garantir a todos o direito a uma vida digna, independentemente de cor, etnia, religião, orientação sexual e outras diferenças. Enquanto isso não ocorre, é preciso ficar repisando essa verdade incômoda.