Opinião
Obesidade zero?
Enquanto o governo federal ainda patina no famoso ?Fome Zero?, uma recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avalia que, no Brasil, a obesidade se tornou um problema maior que a desnutrição. Efetivamente, vivemos num país de enormes (e inusitados) contrastes. Segundo essa pesquisa do IBGE, hoje, o percentual de pessoas acima do peso no país chega a 40% dos adultos ou 38,8 milhões. Deste total, 10,5 milhões podem ser consideradas obesas. No outro lado da balança, o total de pessoas com déficit de peso é de 3,8 milhões ou 4% da população. O IBGE avalia que o excesso de peso se mostrou oito vezes superior à desnutrição entre as mulheres e 15 vezes entre os homens. Uma das explicações seria de que ?o consumo excessivo de açúcares e gorduras popularizou um problema que até então era relacionado à abundância de recursos? e continua explicando: ?percentuais até 5% de pessoas com déficit de peso são considerados aceitáveis no estudo das populações. Isto porque eles representam a parcela de pessoas constitucionalmente magras?. Diz mais a pesquisa: ?O excesso de peso tende a aumentar com a idade, de modo mais rápido para os homens: 48,3% entre 35 e 44 anos e 51,5% de 45 a 54 anos. Nas mulheres, o efeito é mais lento, porém mais prolongado: 41,4% entre 35 e 44 anos e 57,5% entre 55 e 64 anos?. Prossegue o IBGE: ?Os homens com excesso de peso representam de 20% a 30% no Norte e no Nordeste, e de modo geral, a incidência é grande em famílias com rendimento mensal de até meio salário mínimo per capita?. Os pobres estão ganhando peso, particularmente no Nor-deste. Um nordestino de mais idade e ainda sem os vícios do linguajar contemporâneo poderia exclamar algo como ?ôxi, isso não é gordura de saúde, é inchaço?. ?Muita farinha com água dá nisso?, também poderia ser ouvido, pois esses eram ditos antigos, em resposta a ?gordura sem sustança?. Esses resultados científicos confirmam (o que era evidente em qualquer observação superficial) que o Brasil não sofre das mesmas tragédias famélicas que castigam outras regiões do mundo e que temos, sim, problemas alimentares (ligados à qualidade da dieta) e que devemos, ao mesmo tempo em que se equacionam os problemas dos bolsões de fome, estabelecer políticas públicas inovadoras, deixando de lado as tentações dos bordões fáceis da publicidade política.