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Opinião

Apagão .

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Reportagem publica na edição deste fim de semana da Gazeta de Alagoas mostra que o Estado corre o risco de sofrer um “apagão” de professores nas próximas décadas porque há cada vez menos pessoas interessadas em seguir a carreira docente. A Ufal, por exemplo, deixou de preencher 700 vagas nos cursos de Licenciatura no último semestre.

Esse fenômeno foi detectado em pesquisa divulgada pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). De acordo com o estudo, até 2040, haverá carência de 235 mil professores de educação básica. Segundo o estudo, o crescimento no número de ingressantes em cursos de licenciatura foi menor do que no restante do ensino superior. De 2010 a 2020, houve um crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que tem como carreira o ensino, enquanto nos demais cursos o aumento ficou em 76% no período. Também há o problema da evasão. Nos dez anos analisados, o percentual de estudantes que concluiu os cursos de licenciatura aumentou apenas 4,3%. De acordo com os especialistas, entre os fatores que levam ao afastamento dos jovens da carreira de professor está a baixa remuneração. Em 2020, os professores do ensino médio recebiam, em média, R$ 5,4 mil por mês, o que representa 82% da renda média das pessoas empregadas com ensino superior (R$ 6,5 mil). Faltam planos de carreiras atrativos, sobretudo em estados e municípios com orçamento restritos. Além disso, o estudo aponta para “o abandono da profissão devido às condições de trabalho precárias, como infraestrutura ruim de algumas escolas, falta de equipamentos e materiais de apoio, violência na sala de aula e problemas de saúde, agravados com a pandemia de Covid-19”. O Brasil tem urgência de melhorar a qualidade de sua educação, e isso passa necessariamente pela valorização dos professores. Não se trata apenas da questão salarial, mas também da formação continuada e em melhores condições de trabalho. Só assim a profissão docente voltará a atrair o interesse dos jovens. Esse é mais um desafio que o Brasil precisa superar o mais rápido possível.

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