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Opinião

Nasceu Jesus

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Dom José Carlos Melo, CM* O mundo inteiro vive a alegria contagiante do Natal de Jesus preconizada pelos anjos aos pastores: ?Eu vos anuncio uma grande alegria: nasceu hoje na cidade de Davi o Salvador da humanidade?. Esta celebração é um convite para uma reflexão sobre este mistério sempre novo e atual. Para isto recordamos a valiosa contribuição do abade São Máximo: ?O verbo de Deus nasceu segundo a carne uma vez por todas. Mas pela bondade e condescendência para com os homens, quer nascer sempre espiritualmente naqueles que o desejam?. Este grande mistério da encarnação de Deus permanecerá sempre mistério, tendo em vista a seguinte pergunta do mesmo abade: ?Como pode o Verbo, totalmente Deus por natureza, fazer-se totalmente homem por natureza, sem detrimento algum das duas naturezas, nem da divina, na qual é Deus, nem da humana, na qual se fez homem? Com este questionamento de fé, exorta Santo Agostinho: ?Alegremo-nos com esta graça... na verdade, que graça maior Deus poderia nos conceder do que, tendo um único Filho, fazê-lo Filho do homem e reciprocamente fazer os filhos dos homens serem filhos de Deus!?. O nascimento de Jesus alimenta nossa vida espiritual e nos encaminha para uma grande luz. Recordamos a palavra da lei e dos profetas que é entendida à luz da fé, semelhante a uma estrela que conduz ao conhecimento do Verbo encarnado todos os que foram chamados pelo poder da graça, segundo o desígnio de Deus. Referindo-se à Encarnação do Verbo, com sabedoria afirmava Paulo aos Gálatas: ?Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher? (Gl 4,4). Nestas palavras do apóstolo descobrimos ao mesmo tempo dois aspectos do mistério: a divindade e a humanidade do Filho que nos foi enviado por Deus. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem E na contemplação deste mistério podemos realizar um profundo mergulho na divindade, guiados seguramente por João Evangelista no Prólogo do seu Evangelho que nos diz: ?E o Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade? (Jô 1,14). E como quem conheceu de perto e o experimentou mais intimamente ele conclui: ?Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens? (Jô 1,4). Mas, a esta altura uma pergunta nos vem naturalmente à mente: Por que esta aproximação entre o céu e a Terra, por que a união entre o infinito e o finito, entre o divino e o humano? Sem dúvida, é unicamente o amor de Deus para com os homens. Só o amor é capaz de estreitar estas duas realidades. Por isso podemos afirmar que a encarnação do Verbo é obra exclusiva do amor de Deus. Só se entende o Natal de Jesus no amor de Deus para com os homens. Nesta mesma linha de reflexão, dizemos que esta presença do amor de Deus no mistério da encarnação pede naturalmente uma resposta de amor como sabiamente lembra Santo Agostinho: ?Por que não amar a quem tanto nos amou assim??. Aproveitando esta oportunidade, como pastor desta Arquidiocese de Maceió, apresento a todos e as suas respectivas famílias, meus sinceros votos de um feliz e frutuoso Natal, cheio de alegria e de paz. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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