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Nº 5595
Opinião

SIENA – A CAIXINHA DE LEMBRANÇAS

Recordações, lembranças, fotografias, recortes de jornal, cartas, bilhetes, agendas e diários. Anos de vivência que cabem em uma única caixinha de papelão já amarelado pelo tempo... Todas as vezes que a encontro bem guardada em local seguro, memorias sem

Por Alberto Rostand Lanverly - presidente da Academia Alagoana de Letras | Edição do dia 30/11/2022 - Matéria atualizada em 30/11/2022 às 04h00

Recordações, lembranças, fotografias, recortes de jornal, cartas, bilhetes, agendas e diários. Anos de vivência que cabem em uma única caixinha de papelão já amarelado pelo tempo...

Todas as vezes que a encontro bem guardada em local seguro, memorias sem fim desfilam diante dos meus olhos e então fatos que já nem mais lembrava, porém estão ali armazenadas, eternizadas de alguma forma, são resgatados. É quando paro para pensar o quanto fui feliz e a enormidade que evoluí de uns anos para cá. Dias atrás visitei Siena, na Itália e ali chegando lembrei da minha importante arca de recordações, dentro da qual ainda mantenho o ingresso de entrada ao cinema São Luiz em Maceió, onde acompanhado por Rostand, meu pai, assisti ao filme “O Espadachim de Siena”. À época havia completado talvez sete ou oito anos de idade e a violência da película, com tantas mortes acontecidas e sangue jorrando em abundância, não somente me fez deixar a plateia antes da metade da apresentação, como marcou para sempre o meu imaginário, dificultando inclusive o sono pacífico por algum tempo. Anos depois fiz questão de repetir a experiência em inúmeras oportunidades, passando a conhecer com detalhes cada uma de suas passagens e os locais frequentados pelos atores naquela cidade fortaleza. E então, no exato local onde aconteceram algumas gravações das cenas que tempos atrás, tanto me amedrontaram, sentado em um dos bancos da catedral local, o duomo, construída entre os anos 1251 e 1265, encantado com os capitéis das colunas da parte da frente da nave, esculpidos com bustos de cento e setenta e dois papas, começando por São Pedro até Lucio III, trinta e seis imperadores, com o vitral redondo do coro, representando a Última Ceia preparado em 1288 a partir de desenhos de Duccio, o mais influente artista da região em sua época, pensei na magnitude da existência. Ainda postado no mesmo ambiente, repassei em minha mente o conteúdo do filme um dia assistido, não somente repleto de aventuras mas também de valores morais, que contava história acontecida na Toscana do século XVI, quando o herói da trama, Thomas, foi contratado pelo Duque Don Carlos, para proteger sua noiva, uma mulher fria e arrogante. Fiz questão de permanecer uma noite naquela pequena cidade italiana, que pouco tem a conhecer se comparada a Roma, Florença ou Veneza, e tal desejo brotou devido ao acontecimento experimentado muito tempo atrás e que inicialmente em mim causou repugnância e medo. Imaginei, quantos eventos nortearam meu cotidiano, uns tiveram pequena influência, outros deixaram marcas e alguns em nada contribuíram. Mas existiram aqueles que me ofereceram a oportunidade de no futuro fortalecer a maturidade. Algumas delas se foram outras permanecem pulsantes. Vida que segue, é o passado guardado em minha caixinha de lembranças, se fazendo presente sempre.

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