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Nº 5710
Opinião

Saneamento: mudando velhas imagens do Sertão

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Por Antonio Hercules Neto - diretor do Consórcio Águas do Sertão | Edição do dia 10/12/2022 - Matéria atualizada em 10/12/2022 às 04h00

Pouco mais de dois anos após a sanção do novo Marco Legal do Saneamento do Brasil (Lei 14.026/20), Alagoas se tornou referência nacional pelo pioneirismo na realização de leilões bem-sucedidos de concessão desenvolvidos pelo Governo do Estado (em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para atingir a meta de universalizar os serviços de água e esgotamento sanitário para mais de 2,6 milhões de pessoas.

Foi exatamente esse desafio que atraiu ao Estado o Consórcio Águas do Sertão, formado pela Allonda Ambiental e a Conasa Infraestrutura, que completou, no dia 9 de dezembro, 100 dias de operação direta dos serviços de água e esgoto de 34 municípios do Estado e 151 localidades, incluindo cidades-polo como São Miguel dos Campos, Penedo, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia. Apesar do contrato da concessão ter duração de 35 anos (sendo a maioria dos investimentos previstos dentro de cinco anos), esses primeiros cem dias de (muito) trabalho nesses municípios, a maioria localizada no Agreste e no Sertão, revelam que o modelo de parceria adotado em Alagoas tem tudo para transformar a realidade do saneamento do Estado e melhorar a qualidade de vida da população. Por meio de ações coordenadas, já foram realizadas melhorias em diversas localidades, proporcionando, desde já, mais acesso à água para pessoas que conviviam com uma situação crítica de abastecimento, como o Povoado Caboclo, em São José da Tapera, o Loteamento Vegas I, em Palmeira dos Índios ou o Conjunto Lira, em Santana do Ipanema. Outra frente importante são as operações de caça-vazamentos e ligações clandestinas, que estão revisando ponto-a-ponto as redes de diversos municípios com o objetivo de reduzir as perdas de água da rede e aumentar a vazão disponível para consumo da população. Além de um trabalho de porta a porta para regularização e recadrastamento de clientes. Sabemos que esse é só o início de uma longa jornada com impacto direto no avanço de indicadores sociais (como da saúde) e melhoria na qualidade de vida de milhares de alagoanos – principalmente das mulheres, mais afetadas pela falta de saneamento, como mostra uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Trata Brasil, segundo a qual uma em cada quatro mulheres não tem acesso à água tratada ou não é abastecida com regularidade. E, não menos importante, ajudará a mudar definitivamente os estereótipos de como o Sertão alagoano ainda é retratado em boa parte do país que ainda não conhece a pujança empreendedora de uma região que, com a universalização do saneamento, vai poder alcançar em breve todo seu potencial econômico e social.

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