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Opinião

Coisas da democracia

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No decorrer das eleições municipais de 2004, o andar da carruagem já antecipava grandes sacolejos no caminho das eleições de 2006. A previsão do tempo político indicava clima tempestuoso para o próximo pleito. Nesse sentido, as fortes declarações do governador antecipam o previsto e delimitaram um novo cenário nas relações do Executivo com o Legislativo, trazendo à tona contradições políticas-partidárias que estavam adormecidas, embora já dessem sinal de vida desde o processo eleitoral deste ano. Debates acirrados fazem parte da política, assim como denúncias mútuas e articulações de bastidores. A grande questão é saber localizar o tempo apropriado para cada uma dessas manifestações da milenar luta pelo poder. Fica a dúvida: estamos na estação dos atritos mais acirrados? Muitas vezes, o clima emocional provoca reações intempestivas que findam por causarem danos a terceiros. Neste clima instaurado, as prioridades de Estado não podem sofrer solução de continuidade ? como na hipótese de problemas na votação do Orçamento do Estado de Alagoas para o ano de 2005. Otimista, o líder do governo na Assembléia Legislativa acredita que apesar do aumento da insatisfação de parte dos deputados, esse clima não seria mantido até a votação do orçamento. Deve-se torcer para que essa avaliação esteja correta, pois Alagoas já tem sofrido muitas dificuldades em seu caminho para a retomada do crescimento e entraves colocados frente ao orçamento representam complicadores indesejáveis. Durante um bom tempo, a atual composição da Assembléia Legislativa exibiu um perfil de quase unanimidade em apoio ao governo estadual. Muitos alertaram e alertam que uma bancada de oposição é essencial para o correto funcionamento da democracia e que em Alagoas estaria faltando esse fator decisivo para uma racional correlação de forças. Tudo indica que a quase unanimidade tenha deixado de existir e que a oposição possa vir se constituir em bancada. Se assim for, bom para a democracia. Mas toda vez em que o conflito político é conduzido pelo emocional, o resultado sempre é prejudicial para todos. Alagoas já sofreu desse mal em várias ocasiões e a experiência deve-nos orientar para não repetirmos erros sobejamente conhecidos.

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