Opinião
60 anos de medicina .
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Era a noite do dia 15 de dezembro de 1962. O céu estava belíssimo, coberto de estrelas. Eu, com meus 25 anos de idade exultava de alegria pela conquista de duas vitórias: o meu diploma de médico e a presença de meu pai ao meu lado, já desenganado pela medicina há vários meses. Foi imensa a minha felicidade quando o vi, com os olhos cheios de lágrimas como a dizer: “venci a morte, meu filho, para estar ao seu lado”. Três meses depois ele partia para sempre.
60 anos já se foram. Éramos 14 os doutorandos de medicina. Todos estudiosos, unidos e apaixonados pela profissão. Hoje já não o somos. Infelizmente alguns partiram para a eternidade. Sem termos a alegria da presença deles neste momento das comemorações, resta-nos realizar o prodígio maior e dos mais vivos sentimentos humanos, que é a recordação. Como a luz perdida dos astros apagados, a recordação de todos eles, professores estimados e colegas queridos, continua a nos tocar com o sentimento profundo da saudade. Éramos apenas 14, repito: Aldo Molina, Antônio Dantas Lima, Everaldo Lemos, Elenilda Veloso Pimentel, Ivanize Maciel Ribeiro, José Cândido Vieira, Maria Francisca Vieira, Mario Alves de Souza, Mariza Ferreira Marinho, Milton Hênio Netto de Gouveia, Nehemias Rodrigues de Alencar, Roberto Maia Mendonça, Sofia Marinho Lopes de Farias e Tácito Augusto Medeiros. Hoje, 60 anos depois aqui estamos, já não tão cheios de vitalidade combativa pelo desgaste do tempo, mas ainda fieis aos mesmos ideais da mocidade, dos mesmos sentimentos à Medicina e com a mesma convicção que nos fez sonhar os sonhos do cavalheiro andante, a serviço da Medicina como profissão e da profissão como ideal de vida. Pelos caminhos do tempo onde me gastei, fui deixando pedaços da minha vida. Vi choros, gemidos, lágrimas, mas também vi o sorriso de crianças voltando à vida e milhões de bracinhos cheios de encanto que me envolveram nessa caminhada de médico de crianças. Lembro-me com saudade e emoção dos meus dedicados professores, que examinavam com paciência e precisão seus doentes. Na pessoa do professor Ib Gatto Falcão, eu homenageio a todos eles. Hoje tudo mudou no campo da medicina. Apesar de toda tecnologia o médico, só o médico, pode compreender pela sua grande missão, que independente da enfermidade existe um remédio de real importância para o doente e que nenhuma farmácia vende, que é a palavra do médico. Agradeço a minha querida esposa Myrza, filhos, netos, bisnetos, genro e nora, a amizade que me devotam e que serviram de estímulo na minha caminhada. Agradeço a minha querida filha Roberta que esteve ao meu lado no consultório durante 35 anos. Agradeço imensamente a minha saudosa irmã Hely e ao meu inesquecível cunhado Bragança o trabalho diário em secretariar a minha vida cultural, o que fizeram com muita dedicação. Agradeço ao saudoso Senador Arnon de Melo e seu filho Fernando Collor e aos que fazem a Gazeta de Alagoas pelo carinho com que sempre me receberam.
