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Nº 5710
Opinião

Compromissos com erros? .

Depois da cerimônia de diplomação do presidente e do vice-presidente eleitos no pleito de 2022, tivemos vandalismos com tentativas violentas de invasão da sede da Polícia Federal (PF), depredação de patrimônio público e privado e uma ausência de repressão

Por Marcos Davi Melo - médico e membro da AAL e do IHGAL | Edição do dia 17/12/2022 - Matéria atualizada em 17/12/2022 às 04h00

Depois da cerimônia de diplomação do presidente e do vice-presidente eleitos no pleito de 2022, tivemos vandalismos com tentativas violentas de invasão da sede da Polícia Federal (PF), depredação de patrimônio público e privado e uma ausência de repressão proativa das autoridades responsáveis pela segurança pública. Como o país vem atravessando um período dito “fora da normalidade”, podemos perguntar se essas ocorrências são parte dessas anormalidades?

Segundo Drucker, “o trabalho mais importante e difícil não é encontrar a resposta, mas fazer a pergunta certa”. Desvincular-se das emoções e partir para o lado racional é a base da filosofia, mas os poetas, como Mário Quintana também perguntam pela “resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Existem perguntas que devemos evitar, como a idade de uma mulher e o quanto pesa, ou quantos pares de sapatos ela tem? Ou se à seleção canarinho faltou o que o time argentino atual apresenta, ou se é só Messi que desequilibra? Mas, quando se trata de uma questão de interesse maior, a maltratada ética, nos obriga a fazer perguntas. Na ciência, perguntas sobre “como “podemos derrotar as superbactérias?” são permanentes” e são eternizadas no ditado popular: “perguntar não ofende”. Perguntar é indispensável, pois muitas vezes a nossa dúvida pode ser a de muitas outras pessoas ao nosso redor. O ceticismo não é uma forma de não acreditar, mas uma forma de questionar, ou seja, de perguntar para chegar a verdade racional, marcada pela frase de Descartes “penso, logo existo”, que resume a busca de coerência no ato de pensar, exercitar nossas mentes e a capacidade intelectual e obter caminhos, enfim, aprender a fazer uso da razão. Perguntas sobre o vandalismo em Brasília e a ausência de repressão circulam pelo Brasil: Quem são essas pessoas que tentaram invadir a sede da PF, usando a violência, tocando fogo em patrimônios público e privado, e instalando o terror? A quem estão diretamente ligadas? Gozaram da complacência das Forças de Segurança? Caso esse vandalismo fosse feito pela torcida organizada do Corinthians, a borracha cantaria no seu lombo? Retornando à normalidade, como o mundo espera, a democracia brasileira, pode conviver com a ausência da autoridade na segurança pública? Esse clima em Brasília é compatível com os investimentos nacionais e internacionais e com a recuperação da economia? Se esse vandalismo é promovido por uma minoria extremista, a parte majoritária da população, independente de em quem ela votou na eleição, concorda que essa turma continue praticando crimes impunemente? A maioria tem compromissos com erros? Tenho apenas uma resposta pessoal: Messi é o craque do século e vou torcer para que seja campeão do mundo domingo, pois ele merece, por seu exemplo de grande atleta e de cidadão normal, equilibrado e civilizado.

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