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Dom Ot�vio Aguiar

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DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * Nesta festa do Natal do Menino Jesus, quero aqui recordar mais uma vez um servo fiel do Senhor, que Jesus convidou no último dia 8, festa da Mãe Ilibada, a Toda Santa Mãe de Deus, a passar com eles seu aniversário. Foi dom Otávio Aguiar, que naquele dia da Conceição Imaculada de Maria, ouviu o convite divino: ?Eia, servo bom e fiel, entra no gozo de teu Senhor!? Na breve cerimônia fúnebre, da qual participei no último dia 9, em sua querida iigreja de N. Sra. de Fátima, do Inocoop, tive a oportunidade de, abençoando seus restos mortais com as palavras santas da liturgia, acentuar que a infinita misericórdia de Deus concedera a dom Otávio dois últimos presentes: poupá-lo das angústias da morte iminente, subtraindo-lhe a plena consciência, e chamá-lo a si na grande festa litúrgica de N. Sra. da Conceição. Quero aqui rememorar o que escrevi nesta mesma coluna por ocasião do belo aniversário natalício de 90 anos de vida de dom Otávio, comemorado naquela mesma sua querida igreja, em 22 de abril do ano passado, 2003. Foi a de dom Otávio uma longa vida, toda ela dedicada ao serviço da Igreja e dos irmãos, para glória de Deus e salvação das almas. Após ter exercido a função de assistente nacional da Juventude Agrária Católica (JAC), Otávio Aguiar, pároco de Limoeiro, em Pernambuco, foi escolhido pelo sumo pontífice para bispo auxiliar de S. Luís do Maranhão, na verde idade de 41 anos, em novembro de 1954. Passou apenas um ano em São Luís e logo veio para Campina Grande, onde ficou por seis anos. Para nosso Estado, de onde não mais saiu, veio dom Otávio em 1962, tomando posse da Diocese de Palmeira dos Índios em 19 de agosto daquele ano. Foi nesse tempo, o mais significativo da história da Igreja no século vinte, que ele tomou parte em Roma do Concílio Vaticano II de 1962 a 1965. Renunciou prematuramente à administração de sua diocese com a idade de apenas 65 anos, quando o Direito Canônico iria fixar mais tarde, a tal idade-limite de 75 anos. Eu disse ?renunciou à administração da diocese?, porque ao serviço episcopal, como todos nós, bispos eméritos, dom Otávio não renunciou. Ao contrário, ele o continuou com ardor ainda maior e crescente élan, desde que se transferiu para cá, acolhido fraternalmente por dom Miguel Câmara e por mim mesmo por dezesseis anos e meio e agora, nestes dois últimos anos caridosamente assistido em sua última doença, pelo meu sucessor, dom José Carlos. Construiu inúmeras igrejas e capelas em nossa cidade, como a Matriz de Maria Auxiliadora, a de S. Paulo Apóstolo no Conjunto Salvador Lyra , a igreja de Santo Antônio no Jacintinho e a Matriz de S. Maximililiano Kolbe, no conjunto Benedito Bentes, onde também organizou a comunidade eclesial, fez a casa paroquial e foi pároco por alguns meses. Ajudava os padres na difícil tarefa de conseguir recursos na Europa para construção ou reforma de suas capelas e matrizes. Tudo isso, além do grande mérito cultural da organização do Arquivo da Cúria e do Museu de Arte Sacra de Marechal Deodoro, do qual foi nomeado diretor pelo governador, tendo declinado da nomeação por julgar anti-ético receber vencimentos do Estado, sem dedicação exclusiva. Para mim, ele foi uma grande lição de vida, de que tive o privilégio de usufruir em sua amável companhia, em ouvir suas sábias opiniões sobre os problemas atuais da Igreja e do mundo. Prudência, circunspecção e retilinidade foram suas características fundamentais. Sabia escutar, como poucos, sabia aconselhar, como os sábios, sabia calar e ser prudente e reservado. Dom Otávio foi para mim um verdadeiro esteio de meu episcopado em Maceió. A Arquidiocese de Maceió muito fica devendo a dom Otávio por tudo que ele fez ao longo de sua laboriosa existência. Deus o receba nos páramos celestiais e lhe dê o prêmio eterno, enquanto os anjos cantam neste Natal a glória de Deus nas alturas e a paz na terra aos homens de boa vontade. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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