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O governo federal anunciou esta semana a retomada do programa Mais Médicos, com a abertura de 15 mil novas vagas. Rebatizado de Mais Médicos para o Brasil, o programa, criado em 2013 e marcado pela contratação de médicos cubanos, passa a incluir outras áreas de saúde, como dentistas, enfermeiros e assistentes sociais, e promete priorizar profissionais brasileiros.

Quando foi implementado no governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos provocou discussão e polêmica, principalmente pelo fato de que boa parte dos profissionais veio de Cuba. O programa foi alvo de muitas críticas, principalmente de entidades médicas, pelo fato se voltar para a contratação de profissionais para bolsões de pobreza no País sem criar uma política que reforme a estrutura dessas localidades. Polêmicas à parte, o fato é que, na época, o número de médicos na atenção básica à população na rede pública do País foi ampliado em 36%. Eram cerca de 40 mil antes do programa e ganhou 14.462 profissionais, entre eles 11.429 cubanos e 1.187 com diplomas de outros países. Uma avaliação independente feita em 1.837 municípios revelou um aumento de 33% na média mensal de consultas e 32% de aumento em visitas domiciliares; 89% dos pacientes reportaram uma redução no tempo de espera para as consultas. É claro que a simples presença de médicos nos municípios não é suficiente para garantir à população o acesso a serviços de saúde de qualidade. Não existe medicina de qualidade sem boa infraestrutura, profissionais especializados, acesso a exames complementares complexos, hospitais devidamente aparelhados, uma estrutura de transporte em casos de urgências e emergências e protocolos de tratamentos baseados em evidências clínicas de eficácia. Tudo isso demanda custos, às vezes, muito elevados. Entretanto, para comunidades que estavam havia muito tempo sem nenhum tipo de assistência, o Mais Médicos representou um grande avanço. Faz-se necessário, portanto, que o programa seja visto como uma medida emergencial, enquanto se buscam soluções definitivas para o problema da saúde pública no Brasil.

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