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Opinião

A felicidade da empatia .

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Dom Antônio Muniz, arcebispo metropolitano de Maceió, na palestra no início de dezembro, ao encerramento das atividades do ano na Academia Alagoana de Letras, discorreu sobre a filósofa Edith Stein, judia convertida ao cristianismo e uma das vítimas dos campos de concentração nazistas de Auschwitz - Birkenau. Edith Stein, discípula e herdeira de Husserl, o pai da fenomenologia, deixou-nos como seu maior legado a ênfase da empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, principalmente do que sofre, a capacidade de ter compaixão, piedade e movidos por esses sentimentos, ser solidário, agir e assim, sentir-se feliz.

Nesse sentido, o escritor italiano G. Bufalino escreveu: “Às vezes acontece de nos sentirmos felizes por um minuto. Não se deixem levar pelo pânico: é uma questão de segundos e depois passa”. Essa é uma época adequada para se refletir sobre a nossa eterna busca por essa fugidia felicidade. Vemos a ansiedade no preparo das árvores de Natal e das ceias natalinas, na expectativa das crianças de ganhar presentes, de adultos para viajar e reencontrar parentes, mesmo com aeroportos congestionados com voos atrasados, suspensos e as passagens caríssimas. Os terminais rodoviários lotados com ônibus que saem e chegam lotados. O comércio fatura, circula dinheiro, os bares estão repletos com os que necessitam do álcool para auxiliá-los nessa busca. No Congresso Nacional, um espírito “natalino” próprio permeou suas excelências para encontrar um estreito caminho para aferir os 600 reais para as famílias despossuídas que parecem mais distantes desse cenário do que eles da estrela de Belém. Conseguiram também passar o camelo pelo buraco da agulha e elevaram os seus já robustos salários e dos setores mais privilegiados do serviço público. Afinal, Papai Noel tem dificuldades para passar em outros lugares, mas ali ele sempre chega. Mas existem aqueles que, movidos pela empatia, dedicam o seu tempo a alimentar os famintos (eles são mais de 30 milhões no Brasil) em igrejas, galpões e ruas das metrópoles, e religiosos como o padre Júlio Lancellotti, que, com um grupo de voluntários em São Paulo, socorre os desabrigados nas ruas durante as madrugadas frias com uma sopa quente e uma palavra de conforto. São voluntários que distantes de Brasília e distribuídos pelo país possuem a empatia como uma segunda pele, essa prenda que não é unicamente da cristandade, mas é uma joia bruta no coração de cada um ser humano, que pode ou não ser lapidada, para propiciar aquela felicidade que Confúcio, na China, 500 anos antes do Salvador, já pregava: “A maior felicidade que um homem pode ter é proporcionar a felicidade para outros seres humanos”. Confúcio, afirmava ainda: “O homem que todo dia carrega um pouco de areia, ao final, terá uma montanha”. Qualquer bem que se possa fazer nesse mundo, mesmo que seja aparentemente pequeno, se for constante e sincero, a felicidade estará sempre ao seu alcance. Esses são os que só ficam felizes com a felicidade dos outros. Feliz Natal para todos com suas famílias.

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