Opinião
Ele n�o � fabricado
DOM FERNANDO IÓRIO * Ele é o Menino da Gruta que nos fascina e nos empolga. Agora é líder e pregador, a sugerir que saiamos de nós mesmos, das nossas instalações, do nosso comodismo para aquele constante caminhar, em busca da meta final. Deu-nos Ele o exemplo salutar: não pára em encruzilhada alguma para olhar para trás, caminha porque sabe para onde vai. Passa, apressa-se. Deixa o resto, o finito, o transitório, mesmo sem desprezá-los, porque vê muito além, para muito além do que viam seus contemporâneos de caminhada. Ele, o Cristo de Belém, vê muito longe, nesse caminho sem fim, como o viandante infatigável, cuja meta longínqua parece, irresistivelmente, alcançar, ao devorar das estradas. Mas, será que nesse itinerário apaixonante o Menino de Belém se apega à família de Nazaré, onde fora educado? Não. Para Ele, seus familiares são quantos ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática. Prende-se, porventura, à pátria natal? De maneira alguma. Sua pátria é o mundo dos continentes: ?ide e tornai todos os povos discípulos meus?. Dedica-se, exclusivamente, a seus discípulos? De modo algum. Possui Ele outras ovelhas que, ainda, não se encontram no seu aprisco. Ele é o líder, sem exclusividade. Ele é de todos, sem distinção alguma. É o líder a exigir decisão: ?Seja o ?teu sim, sim, e o teu não, não?. Ele não se instala, nem se acomoda, vez que se decide nas horas de sombra e de luz, nas madrugadas frias, como no sol causticante das horas amargas da vida. Esse Menino de Belém não é o Jesus fabricado pelos nossos interesses ou ideologias, não é o Jesus de nossas intrigas secretas, de nossa mania de aparecer, de nosso egoísmo, de nossa vaidade, mas Aquele Cristo exigente e misericordioso que ilumina a esperança de todos os seres humanos, Aquele que se parece com os injustiçados, com os sem-teto, com os sem pão, com os sofredores, com os perseguidos das sextas-feiras santas dos homens, mas que não deixa de ser, também, Aquele Cristo que se assemelha aos justos e honestos, aos vitoriosos e aos bem-sucedidos de todos os domingos da Ressurreição. Por isso, desde a Gruta, nocoração da pedra, Ele fascinao homem de hoje, como conquistou o de ontem e sempre empolgará a quem O conhecer amanhã. Tudo porque Ele, o Cristo Jesus, é do que foi, é de hoje e será de sempre ? alfa e ômega ? princípio e fim de toda a Humanidade. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS