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Nº 5715
Opinião

A leitura em voz alta e a alfabetização

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Por Marco Antônio Bomfoco – professor | Edição do dia 02/01/2023 - Matéria atualizada em 02/01/2023 às 04h00

A criança que não for alfabetizada até aos 7 anos dificilmente poderá ter uma boa formação. Será que o País está percebendo bem o que se passa nesse sentido? O Programa Todos pela Educação revelou que a parcela de crianças com 6 e 7 anos de idade que não sabem ler com compreensão e escrever corretamente chegou em 2021 a 40.8%. Assim, o déficit na alfabetização, que era muito alto, dobrou com a pandemia de Covid-19. A educação brasileira está diante do maior impasse de toda a sua história. Quais serão as consequências disso para a sociedade nos próximos anos?

Os pesquisadores alertam que, no mundo da tecnociência em que vivemos, sucesso ou fracasso são moldados na escola. Eu estou de acordo, mas gostaria de falar de outro aspecto do assunto que é muitas vezes esquecido. Tradicionalmente, o letramento é a “habilidade de ler e escrever”, ou seja, um fenômeno puramente “mental” ou cognitivo. É um processo centrado no desempenho do aprendiz. Tudo é questão de habilidades. Não se pensa a educação como atividade cultural ou social mais ampla. Os problemas de leitura são difíceis de corrigir, mas fáceis de evitar. Em minha opinião, quando a criança entra na escola já é muito tarde para ela começar a aprender a ler e escrever. Com um ano de idade os bebês que recebem atenção e afeto (fala-se, canta-se, brinca-se com eles e se lê para eles) já aprenderam todos os sons que formam a língua nativa que irão desenvolver. Ler em voz alta regularmente para os bebês, desde o berço, desenvolve as suas capacidades cognitivas. Considero um erro pensar que a alfabetização precoce fere o direito à infância. Desde fins do século XIX, através dos estudos de Henri Wallon, sabemos da importância fundamental da afetividade para o desenvolvimento da inteligência. Nada melhor para a criança do que esse momento de encontro nas páginas de um livro na companhia de um adulto amoroso: descobrir, aprender, se emocionar e rir juntos! Quem pensa o contrário está preso a ideologias e não entende nada de criança. A escritora Mem Fox (Reading Magic, Nova York, 2008) acredita que quanto mais conversamos com nossas crianças mais brilhantes elas serão. Fox defende que as crianças que não veem nenhum prazer na vida escolar e que têm dificuldades de aprendizagem são justamente aquelas que os pais não liam ou contavam histórias para elas. Portanto, a boa formação na vida escolar é atingida em colaboração com a família e a sociedade.

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