Opinião
Reconstrução e reconciliação .
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O Brasil inicia 2023 sob nova direção, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, após ter sido escolhido pela maioria dos eleitores em outubro. Em seu discurso de posse, o novo presidente apontou o compromisso com a população mais carente e o fortalecimento da democracia como pilares do seu novo governo. Lula tocou em temas como reconstrução nacional, retomada econômica, minorias, educação e saúde e ainda falou de fé e esperança.
A posse de Lula reforça a maturidade da democracia brasileira. Desde o fim do regime militar, em 1985, o processo eleitoral tem garantido a alternância de poder e o respeito ao pensamento da maioria da população, que se expressa através do voto. A polarização dos últimos anos vem causando preocupação, nas eleições de 2022 em particular, mas as instituições têm se mantido firmes e atuantes, para que o processo democrático brasileiro, conquistado a duras penas, não sofra rupturas. Lula volta ao Planalto num momento em que a sociedade brasileira se encontra dividida, por isso terá o desafio de restabelecer o diálogo com os diversos setores sociais. No discurso, o novo presidente reafirmou seu compromisso com a plena liberdade de expressão responsável e defendeu a importância da política. Para Lula, negar a política é um caminho para a barbárie. Ele disse que, apesar de suas limitações, a política é o melhor caminho para a construção pacífica de consensos. O presidente também precisará construir um grupo de apoio consistente no Congresso Nacional para aprovar suas propostas. Entretanto, deve enfrentar uma oposição mais dura que em seus dois primeiros mandatos, devido às bancadas de oposição eleitas na Câmara e no Senado, e terá de usar toda a sua habilidade de negociador. Os desafios do terceiro governo Lula são grandes, a começar pela necessidade de equilibrar as contas públicas, controlar a inflação e destravar o crescimento econômico. Sem isso, ficará difícil cumprir sua promessa de mais investimentos sociais para melhorar os indicadores do País, o grande mote da campanha do petista.