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Ondas da morte

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Tsunami: nome praticamente desconhecido, tornou-se um vocábulo internacional em poucas horas e se converteu num sinônimo de catástrofe mortal. No momento em que esse editorial está sendo escrito, a imprensa mundial já estima em 50 mil o número de mortos na área atingida pelo maremoto. Os números são assustadores. Segundo os geólogos, o terremoto no fundo do mar nas proximidades da Ilha de Sumatra teria atingido 9 pontos na Escala Richter, sendo o maior em quatro décadas e o quarto mais forte em um século. Do terremoto do fundo do mar nasceram as tsunamis (nome de origem japonesa que significa originalmente ?onda de porto?, depois traduzido para ?onda gigante? e hoje sinônimo da maior catástrofe natural neste início de século) que arrasaram extensas áreas praieiras da Índia, Sri Lanka, Indonésia, Tailândia, Malásia, as Ilhas Maldivas, Bangladesh, Mianmar e atingiram até a costa oriental da África. O cataclismo chocou o mundo e provocou um inédito consenso: todos querem ajudar as vítimas do maremoto. A ONU saiu na frente e começou a atuar no auxílio às populações vitimadas, ao mesmo tempo em que o Papa convocava os cristãos para o mutirão de solidariedade e as mesquitas se alçavam a centro de coleta de doações. A Cruz Vermelha Internacional lançou um apelo para angariar imediatamente 5 milhões de euros (cerca de R$ 18 milhões). O governo dos Estados Unidos afirmou que vai liberar, com urgência, cerca de US$ 15 milhões. O governo da França comprometeu-se a enviar ajuda humanitária e médicos. A União Européia garantiu 3 milhões de euros (cerca de R$ 10 milhões) e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) prometeu ?toda e qualquer ajuda possível?. O governo da Austrália foi um dos primeiros a mandar ajuda e garantiu US$ 7,7 milhões (cerca de R$ 20 milhões). A Grã-Bretanha despachou um avião com plástico para barracas e a Rússia enviou 25 toneladas de ajuda humanitária. Nessa dor, o mundo está unido e disposto a trabalhar sem preconceitos para a recuperação das comunidades afetadas. E os problemas, nas áreas varridas pelo maremoto, apenas começaram ? nesses dias seguintes à tragédia das tsunamis, multiplicar-se-ão os malefícios decorrentes da falta de água potável, saneamento, remédios e alimentos. Mais uma grande tragédia nesse início de século. Além da dor irreparável, nesses momentos de união global, o mundo deveria sentir o valor da solidariedade real e abrir os olhos para tantas outras tragédias (como a fome, as guerras) que seguem mutilando a população do planeta.

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