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Comemorou-se ontem, em todo o mundo, o Dia do Braille, sistema que permite, por meio de pontos em relevo para serem lidos com as pontas dos dedos, a escrita e a leitura por pessoas cegas ou com baixa visão.

De acordo com dados do último censo do IBGE, de 2010, existem no Brasil mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 506 mil cegas e cerca de 6 milhões com baixa visão. Entre as pessoas cegas, 110 mil com 15 anos ou mais de idade não são alfabetizadas. Entre as pessoas com baixa visão, 1,5 milhão não sabem ler ou escrever. Isso significa dizer que cerca de uma em cada quatro pessoas (25%) com alguma deficiência visual era considerada não alfabetizada. Um índice maior do que o da população em geral, que em 2010 era de cerca de 8% para essa faixa etária. Além da questão educacional, a rotina das pessoas com deficiência visual é repleta de desafios, principalmente com relação à mobilidade: barreiras de acessibilidade presentes nos espaços urbanos, com as difíceis condições de locomoção pelas calçadas cheias de desníveis e buracos, placas no meio do caminho — muitas vezes na altura da cabeça, rampas inadequadas, travessias perigosas, carros estacionados irregularmente, entre tantos outros obstáculos. Na questão de leitura e escrita em braille, o Brasil teve avanços nos últimos anos, mas ainda há muito a fazer. Desde 2019 os livros didáticos passaram a ser impressos em braille e letras ampliadas em português. Os alunos cegos e com baixa visão passaram a receber os mesmos materiais que o restante dos alunos. Entretanto, a oferta de livros em braille ainda é limitada. Por outro lado, atualmente os recursos de informática são um grande aliado para esse grupo de pessoas, embora o braille ainda seja fundamental, pois não há outra maneira de alfabetizar a criança cega a não ser por meio desse sistema. Mobilidade e acessibilidade são duas palavras que devem fazer parte do nosso dia a dia e estar incluídos nas políticas públicas. Pessoas com deficiência, seja em qual for o aspecto, devem ser tratados como cidadãos, com todos os direitos assegurados.

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