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Nº 5715
Opinião

Os desafios .

Martin Luther King, referência na luta pelos direitos humanos, disse pouco antes de ser assassinado por um extremista: “A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em te

Por Marcos Davi Melo - médico e membro da AAL e do IHGAL | Edição do dia 07/01/2023 - Matéria atualizada em 07/01/2023 às 04h00

Martin Luther King, referência na luta pelos direitos humanos, disse pouco antes de ser assassinado por um extremista: “A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafios”. Uma sentença que permanece atual em todos os cantos da Terra, que continua redonda.

Em nossa democracia, são incontáveis os desafios a serem enfrentados, os crônicos, que remontam às nossas origens étnicas e culturais, como a desigualdade social e o racismo estrutural, que demandam esforços e investimentos contínuos por vários governos seguidos, e os urgentes, que não podem esperar pelo potencial de agravar anda mais os já existentes. Eles exigem prioridade, como a saúde e a segurança públicas, a questão ambiental e o acesso amplo e correto às informações. Na saúde pública, temos imensos problemas, enfermidades transmissíveis que voltaram a nos ameaçar e crônicas, compatíveis a uma população que envelhece, e, embora tenhamos um Sistema de Saúde Pública (SUS) estruturado, são notórios o seu subfinanciamento e filas em hospitais à espera dos procedimentos médicos. Agravando essa situação, existe ainda uma ameaça de novas variantes do Covid-19 no horizonte. A única forma de se enfrentar esses desafios é o alinhamento total à ciência, financiamento e gestões adequados. A segurança pública é outro tormento nacional, agravado com a descontrolada disseminação de armas de fogo, inclusive de grosso calibre nos últimos anos. Isso preocupa demais as autoridades e a população, que, majoritariamente, é pacífica. Os cuidados com o meio ambiente estão entre os desafios mais urgentes, pois além da questão climática, estão os interesses do comércio exterior, pois cada vez mais as exportações de nossos produtos dependem de certificados de sustentabilidade. Finalmente, nenhum desafio poderá ser enfrentado se o acesso às informações for deturpado ou cerceado. As fake news que reinam nas redes sociais são uma ameaça. Espera-se apenas que os governos não as utilizem, mas as combatam com a colaboração da imprensa profissional, indispensável pilar das democracias. Inicia-se um novo governo, eleito pela maioria da população, mas grande parte desses eleitores exige equilíbrio, moderação, compromissos com o que é certo e sem sigilos, com absoluta transparência. Eles não têm compromissos com erros. A era das ideologias como sustentáculo de governos já mostrou que é extremamente dispensável. Não podemos reprisar erros passados. Um país maduro julgaria o seu governo pelos atos e ações por ele executadas no presente. Não é o caso brasileiro, o que é mais um desafio a enfrentar. Apenas um desafio não parece existir: espera-se que daqui a quatro anos tenhamos eleições democráticas para presidente, sem tumultos e sem badernas, o que não deixaria de ser um alívio.

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