Opinião
QUESTÃO RACIAL .
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou esta semana a lei que institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, a ser comemorado anualmente no dia 21 de março. A data foi escolhida para coincidir com o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, instituído pela Organização das Nações Unidas.
Esta semana outros dois atos de Lula têm a ver com a questão racial. O primeiro foi a sanção de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que equipara o crime de injúria racial ao de racismo e amplia as penas. A outra foi a posse da jornalista e ativista Anielle Franco no cargo de ministra da Igualdade Racial. No discurso de posse, Anielle chamou a atenção para a necessidade de fortalecer políticas de reparação da dívida histórica do País com o povo negro, que ainda está sub-representado nos espaços de poder e constitui um dos grupos que mais sofrem com a estigmatização é a vulnerabilidade social. De fato, apesar de a maioria da população brasileira se autodeclarar negra, os negros são minorias nos cargos gerenciais, nos empregos formais e nos cargos eletivos. Por outro lado, a população negra está no topo dos índices de desemprego, subemprego e de ocupações informais, além de receber os menores salários. A escravatura no Brasil foi oficialmente abolida, mas não houve propriamente uma ruptura com a ordem anterior, mas sim uma transição. As estatísticas mostram que o Brasil ainda tem um longo caminho para construir uma sociedade mais justa e e oportunidade para todos. Em relação à questão racial, o grande desafio do Brasil é superar a herança do histórico racista e décadas de ausência de políticas de inclusão. O País ainda tem uma dívida histórica com a população negra e está longe de garantir a todos o direito a uma vida digna, independentemente de cor, etnia, religião, orientação sexual e outras diferenças. Avançamos em termos de legislação, mas é preciso mais políticas públicas que ajudem a superar essa realidade e também uma mudança cultural. Enquanto isso não ocorre, é preciso ficar repisando essa verdade incômoda.