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Um novo tempo

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DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * Com o Dia da Paz ? outrora chamado Dia da Confraternização Universal dos Povos ? e a festa litúrgica da Maternidade Divina da Virgem Maria, começamos um novo ano. Um novo tempo em nossas vidas. Mas o que é o tempo? Esta coisa difícil de definir, que nos cerca a cada instante e da qual depende tudo que fazemos. Toda ação humana é condicionada pelo tempo e pelo espaço. Os teólogos definem o tempo em oposição à eternidade, chamando o tempo o ?nunc fluens? ? um ?agora? que passa, e a eternidade o ?nunc stans? ? um ?agora? que permanece. Diz Horácio em suas Epístolas, no livro II: ?Singula de nobis anni praedantur euntes? ? ?Cada ano que passa rouba algo de nós?. Frederico Von Schiller tenta explicar assim o tempo: ?De três maneiras é a passagem do tempo: o futuro vem a nós com passo lento ? o presente nos escapa voando como uma flecha ? o passado fica eternamente quieto?. Mas Gasparin adverte com objetividade: ?Entre o passado que foge de nós e o futuro que ignoramos, está o presente, no qual estão os nossos deveres.? Montaigne em seus Ensaios (II, 12) contesta: ?Não existe presente. O que chamamos ?presente? não é outra coisa senão o ponto de união do futuro com o passado?. Já S. Agostinho com mais esperança ensina: ?Não digas que o tempo passado foi melhor que o presente. As virtudes é que fazem os bons tempos e os vícios é que os tornam maus. (Comentário do Eccles., cap. 41). ?Os anos nos ensinam muitas coisas que os dias nunca conheceram? ? ?The years teach much which the days never know? ? constata Ralph Emerson em seus Ensaios. Porém, com mais otimismo, o mesmo Emerson corrige no seu ?Sociedade e solidão?: ?Gravai bem em vosso coração: cada dia é o melhor do ano.? Plínio, o Jovem, em suas Epístolas, dá-nos duas boas lições sobre o uso do tempo: ?Se contas os anos, o tempo te parecerá breve; se ponderas os acontecimentos, te parecerá um século.? E: ?O dia mais longo termina cedo?. O velho Sêneca em sua sabedoria nos ensina: ?Omnia aliena sunt; tempus tantum nostrum est?- ?Todas as coisas nos são alheias; só o tempo é nosso? (Epistula ad Lucilium). Por isso, Teofrasto nos recorda: ?A coisa mais valiosa que o homem pode gastar é o tempo.? Nesta linha de pensamento, ensina Gaspar de Jovellanos: ?Para o homem trabalhador, o tempo é elástico e dá para tudo. Só falta tempo para quem não sabe aproveitá-lo.? Consolemo-nos com este belo pensamento: ?Para todas as feridas da alma, por mais profundas que sejam, este grande consolador, o tempo, tem um bálsamo apropriado? (Martin Wieland, Oberon VIII, 64). Com ironia, dizia De Bonald: ?Há pessoas que não sabem perder tempo sozinhas e são o flagelo das pessoas realmente ocupadas?. Num relógio solar, lia-se esta inscrição tenebrosa: ?Todas as horas ferem, a última mata!? E Virgílio em sua Eneida, canto X, afirma: ?Cada qual tem o seu dia assinalado. Breve e irreparável é o tempo de sua vida que está determinado?. Concluamos com o pensamento cristão: O tempo é o grande presente de Deus, com o qual devemos conquistar uma eternidade feliz. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ (Todas as citações deste artigo foram selecionadas no Dicionário de Sentenças, já citado nesta coluna)

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