Opinião
O Rio São Francisco .
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Tenho pelo Rio São Francisco uma grande simpatia. Ele como todos os grandes rios têm sido testemunhas da história da humanidade. Como fatores de convergência do homem nômade, tornam-se pontos de fixação que se transformam em núcleos de povoações. São as testemunhas silenciosas de povos e civilizações que nascem, florescem e morrem.
Grandioso Rio São Francisco, admirado e querido, principalmente pelos nordestinos! Quando atravesso na balsa em direção ao Estado de Sergipe, sinto-me como uma criança contente em ver suas águas tranquilas. Suas águas não são sagradas como as do Ganges, nem suas margens são históricas como as do Nilo. Não testemunhou como o Tibre a grandeza de um império, porém tem ouvido nas belas noites de luar as canções sofridas de seus barqueiros solitários. Decantado por poetas, festejado por prosadores, celebrado por historiadores, o São Francisco possui um encanto especial. Filho das montanhas de Minas, nasceu na parte austral da Serra da Canastra, entre rochedos verticais, projetando-se de forma espetacular, de uma altura de quase 200 metros, parecendo um imenso lençol de cristal. Quem primeiro lhe viu a foz foi o navegador português João da Nova, em 24 de outubro, dia consagrado a São Francisco de Borja, dando-lhe, por isso, o nome de Rio São Francisco. Por afeto tem recebido inúmeras denominações: O Rio da Integração Nacional, Mediterrâneo Brasileiro, Grande Caminho da Civilização, Celeiro do Brasil, o Vale das Maravilhas e o Velho Chico. Como realidade econômica poderia ter sido bem mais aproveitado se nossos governantes de todos os tempos tivessem tido a coragem e a decisão de fazê-lo, de transformá-lo em fonte de vida para milhares de pessoas que vivem atualmente atormentados por uma seca atroz e sem fim.
Dizia o grande poeta Castro Alves: “Rio soberbo! Tuas águas turvas por isso descem lentas, peregrinas”. Controvérsias têm havido nas apreciações históricas feitas pelos nossos melhores historiadores. Capristano de Abreu atribui-lhe pouco valor sócio econômico. Euclides da Cunha lhe deu melhor atenção e reconheceu o seu valor como elo de ligação entre o Sul e o Norte, assim como sua utilidade como fator de expansão econômica. A mão do homem destruiu grande parte da espontânea beleza com que a natureza dotou o vale do São Francisco. As obras de aproveitamento de seu potencial energético não melhoraram como se esperava a vida de numerosas pessoas que residem em suas margens. De qualquer forma Paulo Afonso, Três Marias, Xingó, representam um notável progresso energético servindo a nossa região. Meu querido Rio São Francisco. Continue sua caminhada, abençoando e engrandecendo vários municípios de Alagoas. Ninguém irá comprá-lo nem vendê-lo. Nós brasileiros, estaremos atentos e gritaremos até ficarmos roucos de protesto por qualquer transação que venha tocá-lo.