Opinião
A democracia vencerá o ódio .
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Ovídio escreveu: “O ódio tem melhor memória do que o amor”. Foi o ódio semeado por Hitler durante anos entre o povo alemão que levou às desordens, atentados às instituições, à rutura da democracia germânica e as perseguições ao povo judeu e ao Holocausto, com 6 milhões de israelitas assassinados, a Segunda Guerra mundial e seus 60 milhões de óbitos. Os atos de vandalismo ocorridos no Brasil no domingo, 8 de janeiro de 2023, página mais negra da nossa história recente, foi estimulado e sedimentado durante os últimos anos pelo discurso de ódio, perpetrado contra as instituições do Estado de Direito, e principalmente contra o Supremo Tribunal Federal (STF), alvo principal dos depredadores, o que foi precedido por ameaças, agressões e perseguições aos seus ministros e familiares.
Entre as infinitas depredações, estão as poltronas do STF, que foram projetadas por um sobrevivente do nazismo, como uma testemunha de que aquele ódio nazista persiste no Brasil. No Palácio do Planalto, que deveria estar sob a guarda do Exército nacional, roubaram armas, defecaram e depredaram relíquias com imensos prejuízos ao patrimônio público, inclusive obras de artes históricas, ratificando que esses extremistas têm ódio também das manifestações culturais e artísticas. Impressiona - como se pode constatar nos incontáveis vídeos feitos pelos próprios vândalos - como eles e elas expressavam alegria e prazer com essas destruições. Eles se deleitavam com a destruição da própria casa. Nem um animal irracional faz isso.
Felizmente, um dia depois da baderna ocorrida na capital federal, todos os governadores, de todas as tendências políticas democráticas, da direita, centro e esquerda, reuniram-se com o presidente da República, com os presidentes do STF, da Câmara Federal e do Senado Federal, mostraram união absoluta em torno da democracia e atestaram que esses radicais e vândalos são uma fração mínima da população brasileira e são repudiados também pela imensa maioria da população. Paralelamente, o mundo, também unanimemente, dos EUA à União Europeia, à China e até governos de extrema-direita, como a Itália e Polônia, repudiaram os atos e apoiaram a democracia brasileira.
“Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor, acho impossível”, escreveu Jorge Luís Borges. O Brasil precisa de civilidade, que é quase amor, necessita ser pacificado e reencontrar a estabilidade que permita-nos enfrentar os imensos desafios de gestão que se vislumbram pela frente. Contudo, as ameaças violentas à nossa democracia permanecem e elas precisam ter uma resposta proporcional. É evidente que a maioria dos golpistas presos é massa de manobra, boi de piranha, de gente poderosa e perigosa, que os incita e financia. É essa gente que as autoridades precisam identificar e fazê-las responder na medida dos danos que tem causado ao País. Sem identificar, processar com todos os rigores da Lei e direito a ampla defesa, não existem condições para restaurar a normalidade e pacificar o Brasil. Não se pode consagrar a impunidade, o que seria o mesmo que estimular mais crimes contra a pátria.
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