loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 03/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
23° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Sem esquecer a memória .

.

Ouvir
Compartilhar

Quando Millôr Fernandes escreveu “Basta nos dar as informações que nós tiramos as nossas próprias confusões”, estávamos então sob o regime militar, as informações que tínhamos deram vazão à reflexão dele e não existia o telefone celular. Hoje, temos no celular uma fonte acessível de consulta para informação e desinformação, ao gosto do freguês. O bichinho é tão imprescindível que qualquer um pode sair de casa até sem dinheiro e sem cartão de crédito, porque com ele tanto se mata a sede com uma água de coco, como se compra uma mansão em Miami, a não ser, evidentemente, aquelas pessoas exóticas, que compram vários imóveis com dinheiro vivo. Tem muita gente que não larga o celular nem quando vai ao banheiro.

Mas aquele ilustre cidadão fez a proeza de “esquecer” o celular nos EUA e ainda esqueceu uma minuta de golpe de Estado em casa. O Brasil, ainda segundo o Millôr Fernandes, “é o país onde há a maior possibilidade de se criar um mundo inteiramente novo. Caos não nos falta”. Se o celular fez e faz parte do planejado caos perpetrado por mentes doentias em Brasília, felizmente, as imagens da televisão salvam a pátria mostrando pessoas depredando propriedades públicas e privadas, atentando contra a sede da Polícia Federal no dia 12 de dezembro, tentando explodir uma bomba em um caminhão na véspera de Natal (!) no aeroporto de Brasília e depredando os símbolos da Nação (Palácio do Planalto, Congresso e STF ) no dia 08 e janeiro . Sabe-se que entre essas pessoas estavam baderneiros, aloprados bois de piranha, criminosos comuns e traficantes de drogas condenados, mas tinha gente muito preparada em guerrilha urbana (segundo as informações oficiais das polícias do Congresso e Militar, que tiveram mais de 40 agentes feridos e resistiram heroicamente aos invasores. Fato comprovado é que muitos deles reuniam-se nas portas do QG do Exército, como também o faziam e confessaram os três criminosos que puseram a bomba no caminhão no aeroporto, no que seria uma tragédia inimaginável. O Exército brasileiro precisa assumir a sua responsabilidade nos atos golpistas até para que se possam separar aqueles que (acredita-se que a imensa maioria) permanecem trigo. E que se possa expurgar o joio (certamente uma minoria identificável). Ou vai se misturar o que presta com o que não presta? Não esqueçamos a postura do general Geisel ao afastar o general Frota, que tramava contra a abertura política: “Quando a política entra no quartel por uma porta, a disciplina sai pela outra”. Houve, ao que parece e lamentavelmente, um esquecimento de acionar o Serviço de Informações da Força, mas isso pode ser devidamente resolvido,

O Millôr Fernandes dizia que o verdadeiro milagre brasileiro é ser uma democracia completamente isenta de democratas. Mas dizia também que o Brasil estava condenado à esperança. Atualmente, temos profissionais alinhados à ciência no Ministério da Saúde, existe a possibilidade de se investigar se essa epidemia de esquecimento que tomou conta de Brasília nos últimos anos têm uma causa. Pode até ser que esse esquecimento disseminado nos últimos anos seja um possível efeito colateral do uso prolongado da cloroquina, mas ao que parece, essa sequela não seria permanente, como pode se ver na PGR, o eminente Dr. Aras, depois de anos “esquecido” de suas atribuições, retorna ao Planalto Central para gáudio das instituições nacionais!

Relacionadas