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Nº 5714
Opinião

Escravidão contemporânea .

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Por Editorial | Edição do dia 25/01/2023 - Matéria atualizada em 25/01/2023 às 04h00

Durante o ano de 2022, auditores-fiscais resgataram 2.575 trabalhadores que estavam sendo explorados, um aumento de 31% no número de vítimas em relação a 2021 e de 127% na comparação com 2019, antes da pandemia. A maioria das vítimas eram homens negros e nordestinos, mas foram encontradas também 35 crianças. Eles estavam sendo explorados principalmente na zona rural, em fazendas de produção de cana-de-açúcar.

Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego e mostram uma boa surpresa: Alagoas foi um dos três únicos estados em que não foram constatados casos de escravidão contemporânea no ano passado. A esmagadora maioria das pessoas resgatadas da escravidão contemporânea em 2022 eram homens (92%). Quase um terço tinha entre 30 e 39 anos, metade residia no Nordeste e 58% eram nascidos no Nordeste. A maioria das vítimas também era autodeclaradas preto ou pardo (83%), só 15% eram brancos e 2% indígenas. Quanto ao grau de instrução, 23% declararam ter estudado até o 5º ano incompleto, 20% haviam cursado do 6º ao 9º ano incompletos. Do total, 7% dos trabalhadores eram analfabetos. Também foram resgatados 148 migrantes de outros países (o dobro em relação a 2021) --sendo 101 paraguaios, 14 venezuelanos, 25 bolivianos, 4 haitianos e 4 argentinos. Assim como nos últimos anos, em 2022 as ocorrências de trabalho escravo foram principalmente na zona rural (73% do total de ações e 87% dos trabalhadores encontrados). O fato é que o trabalho escravo moderno, ou trabalho análogo à escravidão como definido pela legislação brasileira, é mais comum no Brasil do que imaginamos. Desde 1995, quando começaram as fiscalizações específicas, mais de 50 mil pessoas foram resgatadas nessas condições. É preciso agir para combater com firmeza e seriedade esse problema, inadmissível nos dias de hoje. O Brasil tem uma legislação avançada, tem órgãos encarregados das fiscalizações e políticas públicas de enfrentamento ao trabalho escravo. Entretanto, para que sejam de fato eficientes, sua estrutura tem que ser ampliada e melhorada.

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