app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5710
Opinião

Lições .

.

Por Editorial | Edição do dia 26/01/2023 - Matéria atualizada em 26/01/2023 às 04h00

Considerada uma das maiores tragédias ambientais e trabalhistas do Brasil, o rompimento da barragem em Brumadinho completou ontem quatro anos. Na tragédia, 270 pessoas morreram, a maioria funcionários em atividade nas estruturas da empresa Vale. Os corpos de três vítimas ainda estão desaparecidos e são procurados pelo Corpo de Bombeiros. Até agora, entretanto, o caso segue sem data de conclusão para reparações ambiental e das vítimas.

O rompimento da barragem de Brumadinho despejou mais de 13 milhões de metros cúbicos de lama, que atingiram 26 municípios. Análises reunindo amostras das águas subterrâneas e fluviais da região revelam que os sedimentos do fundo e da margem do rio Paraopeba, e muitas espécies de peixes, contêm a presença de metais e substâncias como arsênico, cádmio, chumbo e mercúrio em níveis prejudiciais à vida aquática e aos seres humanos. Ambientalistas apontam que os gestores do estado pouco aprenderam com Brumadinho e alertam para a possibilidade de novos desastres envolvendo a flexibilização da legislação em prol da mineração em território mineiro. Não foi a primeira tragédia desse tipo. Em novembro de 2015, duas barragens da mineradora Samarco, também pertencente à Vale, no município de Mariana, em Minas Gerais, se romperam, deixando 19 mortos, centenas de desabrigados e localidades arrasadas. Os dois acidentes expuseram a situação de insegurança hídrica do Brasil. Barragens de dejetos são locais onde ficam depositados os restos, as impurezas e os produtos químicos utilizados nos processos de mineração. Por isso, parece inconcebível autorizar a instalação de algo tão perigoso rio acima de onde dezenas de cidades retiram água para o abastecimento de milhares de pessoas. Não se pode negar que o País precisa do setor mineral, muito importante para a economia, mas o interesse econômico não deve se sobrepor aos interesses da população e à proteção ao meio ambiente. É fundamental e urgente revisar toda a legislação, melhorar a fiscalização e endurecer as obrigações e as penalidades para as empresas.

Mais matérias
desta edição