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Nº 5717
Opinião

ENCANTOS DA ÁFRICA .

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Por Alberto Rostand Lanverly - presidente da Academia Alagoana de Letras | Edição do dia 31/01/2023 - Matéria atualizada em 31/01/2023 às 04h00

O homem não precisa viajar só através de livros ou internet, mas por sua conta e risco, com os olhos e pés, para melhor se conhecer. Outro dia saí mundo afora, desta feita à África do Sul, país cujos habitantes cultuam a figura de Nelson Mandela como seu principal líder político. Para minha surpresa o ilustre Mandiba é amado por todos, estando presente em cada esquina, nos shoppings centers, nas cédulas da moeda local, monumentos gigantes, viadutos e praças, em todas as cidades que visitei.

Encantou-me, contudo, foi Cape Town, uma das mais belas do mundo, verdadeiro caldeirão de culturas e cores, onde uma cadeia de montanhas toma conta da paisagem, praias de areias brancas e lindos jardins botânicos, além de ser grandiosa região vinícola. Ali estando, não perdi a oportunidade de tentar conhecer os pontos de maior interesse e fui subindo de teleférico ao topo da Table Mountain; não chegando infelizmente, devido ao mau tempo, até a Robben Island, onde Mandela ficou preso por 18 anos; desloquei-me ao longo da Chapman’s Peak Drive, uma das mais lindas vias que conheci, aproveitando os finais de tarde no V&A Waterfront; indo dia seguinte de carro, ir até Simon’s Town, onde uma colônia de pinguins pode ser vista de perto na Boulders Beach, além da graça dos leões marinhos, sempre nadando nas proximidades da orla, para deleite dos fãs. O que mais me chamou atenção, já próximo ao Cabo da Boa Esperança, no encontro dos oceanos Indico e Atlântico, onde a terra termina e começa o mar parecendo infinito, foi a existência de bandos de macacos babuínos, com mais de um metro de altura, a correr em grande velocidade, fazendo graça para os passantes, chamando a atenção e até pulando sobre os mesmos para, aproveitando sua distração, lhes tomar bonés, celulares, máquinas fotográficas e alimentos chegando a se tornarem violentos em suas iniciativas perniciosas. Existem, nas redondezas seguranças do Estado, armados com petecas, atirando pedras nos bichos para afastá-los. Posicionei-me em local estratégico e imediatamente me conscientizei de que os homens do estilingue fazem de conta espantar os símios, que, por sua vez, de forma teatral representam ficar com medo das ameaças, embora debochem, inclusive lhes esticando a língua, até se deslocarem para outros pontos e abordarem novos grupos de visitantes. Os macacos são protagonistas de show à parte e os seguranças, sempre sorridentes, são coadjuvantes. Juntos, praticamente, formam uma equipe quase circense, sendo até aplaudidos pelos presentes, exceto os agredidos ou vitimados pelos primatas. Comportamentos como este, para mim significaram a fraqueza do mundo habitado, onde o homem, descendente dos símios, teima em imitá-los. Se todos fossem desonestos, a sociedade se desintegraria. Por outro lado, verificar a verdade consumiria muito tempo, sendo melhor, presumir todos agirem honestamente. É mais fácil, embora possibilite a ação de trapaceiros ocasionais lucrando às custas dos outros. Deixando Cape Town, trouxe como legado aprendizados não somente culturais, mas da similaridade existente, ainda hoje, entre a conduta do homem e do macaco.

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