Opinião
Da educa��o
GILBERTO DE MACEDO * Cabe-me a honra de, em breves palavras, falar em nome dos homenageados desta noite. Dizer da grandiosa importância que, para nós, tem o presente acontecimento. E fazê-lo com o pensamento inspirado no sentimento de gratidão, este que traduz o seu significado íntimo. E, tanto mais importante porque, como já dizia Voltaire, ?Os grandes pensamentos vêm do coração.? Ao lado disso, também a voz da consciência, que, voltada para a verdade, diz do real valor dessa nossa atitude. Assim, unidos, coração e pensamento, manifestam um estado de alma autêntico. É a forma de agradecimento que, afetuosamente, fazemos com merecida resposta à honraria recebida. E, tanto mais, quanto se trata de iniciativa altruísta, destituída de qualquer interesse subalterno, aí onde mais se destaca a generosidade dos outorgantes. É que declarada a partir do reconhecimento a nossa participação prioritária, ao lado de outros colaboradores, para o estabelecimento do ensino superior em nosso Estado. Acresce o fato de sua procedência, ou seja o Conselho Estadual de Educação, que tem a seu encargo a definição da política do ensino, em nosso meio. Conselho composto de autoridades representativas nessa área, sob a presidência do eminente professor Élcio Verçosa. Isso mais nos enleva. É que a educação é a mais significativa atividade pública na sociedade. Voltada para a melhoria desta através da formação do homem. É humanização e socialização. Enriquece a pessoa pela transmissão dos valores do espírito. Enriquece a sociedade como um todo pela implantação da economia com justiça. Logo a educação dos sentimentos, conforme sugere o poeta Flaubert. Desde as relações familiares e o início escolar, o aperfeiçoamento dos valores afetivos constitui a base para o engrandecimento da pessoa. Integrada à educação intelectual. Essa educação praticada em seus diversos níveis e modalidades. Assim, a educação popular para todos, independentemente de particularidades individuais e situações sociais. Pois, como diz Homero de Autum, ?O exílio do homem é a ignorância.? Exílio que é a não-participação no mundo a que pertence, o que diz da injustiça de ser privado de educação, conforme já ensinava o filósofo Aristóteles, ao dizer: ?Todos os homens por natureza desejam saber.? Saber como forma de perceber a realidade. Saber para ser. Ser na plenitude humana em seu mundo. Ser pessoa, ser cidadão. Educação para a libertação! E, ainda, tal educação realizada através da difusão dos valores culturais, a fim de se reafirmar a consciência da identidade étnica, e, também, formar a mentalidade social, no inconsciente coletivo. Em continuação, a educação formal, no âmbito das escolas, também democraticamente aberta. Esta que se há de realizar apoiada no saber clássico e nos conhecimentos contemporâneos mais atualizados, já que vivemos num mundo impulsivamente competitivo e em estrita comunicação. É educação ou escravidão. Exigência de participação nas relações internacionais. E, tanto mais, porquanto cabe à educação influir decisivamente na condução do processo civilizatório, levando ao verdadeiro processo de uma sociedade, onde prevaleçam justiça e liberdade, capazes de assegurar bem-estar e confiança. Pois, como diz o notável pensador do nosso tempo, Bertrand Russell: ?Em educação e outros campos da vida, o que o mundo mais necessita é da substituição do temor pela esperança.? Uma transformação que só a educação poderá propiciar. Educação que é conscientização para a liberdade e a justiça. Há pois, que implantar a educação em todas as sociedades. Para melhorar a vida em geral. Educação para o bem. Educação para a paz! Que se instale. (*) DISCURSO PROFERIDO DURANTE A SESSÃO SOLENE DE ENTREGA DA COMENDA MÉRITO EDUCATIVO ALAGOANO, VERSÃO 2004, EM MACEIÓ, 17 DE DEZEMBRO DE 2004