Opinião
Onda de menosprezo
Nos paraísos naturais das praias do Oceano Índico, só mesmo um maremoto para turvar o mar de negócios turísticos. Aquela região, uma das mais procuradas do mundo, das mais bem equipadas do planeta, hoje é cenário de uma grande tragédia, varrida pelas tsunamis. Ali sempre foi referência de organização empresarial e de iniciativas governamentais bem-sucedidas. Desgraçadamente, algo imensamente superior às forças humanas, destruiu os sonhos de toda uma população e espalhou a devastação e a morte. Alagoas, como todos sabemos, também dispõe de um naco de paraíso, com belíssimas orlas seja no mar ou nas lagoas, nas barras e pontais formados pelas desembocaduras dos rios. E, felizmente, estamos longe das áreas de risco de catástrofes naturais. Mas onde a Natureza foi soberba e radicalmente generosa, o homem parece compensar pela estreiteza de visão e incompetência prática. Só assim se pode entender o descaso denunciado por empresários do setor hoteleiro. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira em Alagoas (ABIH-AL), muitos turistas se extasiam e se decepcionam ao mesmo tempo. Ficam fascinados com a beleza da natureza alagoana e se chocam com o descaso urbano. Diz a ABIH-AL: ?É unânime entre os visitantes a reclamação pelos esgotos escorrendo em direção ao mar, um problema que pode inviabilizar totalmente a indústria do turismo em Maceió. Um exemplo de que esse risco não é só discurso dos hoteleiros está na suspensão, este ano, dos vôos que traziam turistas portugueses para a capital alagoana. Eles costumavam chegar para o réveillon e, encantados, estendiam as férias por todo o verão?. Um dos símbolos do descaso é registrado nas tais ?línguas negras?, verdadeiros filetes de esgoto in natura que correm para o mar em várias praias de Maceió. Pelas denúncias dos hoteleiros, a população dos bairros de Jatiúca, Mangabeiras e Cruz das Almas espera há 90 dias pela reparação de um entupimento da rede de esgoto que serve a essas áreas e que, por conta desse defeito, nos últimos três meses têm sido ?premiadas? com o inolvidável espetáculo da multiplicação dos córregos de esgoto a desaguarem dejetos no mar. Como manter o fascínio e a presença dos turistas? Felizmente, não estamos sob ameaça de tsunamis, mas nos machucam persistentes marolas de incompetência.