Opinião
CONFIANÇA ABALADA .
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O Ministério da Saúde divulgou na terça-feira o cronograma do Programa Nacional de Vacinação 2023. As ações vão começar no dia 27, com a vacinação com doses de reforço bivalentes contra a Covid-19 em pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da doença, como idosos acima de 60 anos e pessoas com deficiência. O governo considera que as coberturas vacinais apresentaram índices alarmantes nos últimos anos e, segundo a pasta, melhorar a proteção contra doenças imunopreviníveis será prioridade.
O Brasil tem um dos mais bem-sucedidos programas de vacinação do mundo, que começou a ser posto em prática há meio século. Desde então, o acréscimo de novas vacinas e o aumento das coberturas permitiram a erradicação da poliomielite, da síndrome da rubéola congênita e do tétano materno e neonatal – doenças responsáveis por mortes e sequelas permanentes, como paralisias e surdez.
Até 2015, o percentual de pessoas protegidas pelas vacinas atingia as metas de 90% do público-alvo para cada imunizante. Entretanto, atualmente os patamares de imunização voltaram ao nível da década de 1980. Para os pesquisadores, foi esse retrocesso que causou o retorno do sarampo ao País, depois de a doença ter sido declarada erradicada em 2016 e ter voltado a circular em 2018.
A queda na cobertura vacinal tem como uma de suas principais causas a desinformação. Nos últimos anos, tem havido o crescimento dos grupos antivacinas, que propagam, principalmente pelas redes sociais, notícias falsas, como efeitos colaterais inexistentes.
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Para especialistas, é preciso investir em comunicação de massa, de apelo popular e fácil compreensão, adaptadas a cada grupo social e regiões, para restaurar a confiança nas vacinas, abalada pela disseminação de desinformação principalmente durante a pandemia de Covid-19.
Para isso, é necessário lançar mão de diversas estratégias, entre elas parcerias com líderes comunitários e influenciadores, que atingem um grande público. A população precisa ser lembrada constantemente dos benefícios e do risco de não se vacinar.