Opinião
FRATERNIDADE .
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Como acontece todos os anos, desde 1964, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu oficialmente na Quarta-Feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade, um modo de a igreja celebrar o tempo da Quaresma, com oração, jejum e caridade, associados à reflexão e ação sobre um tema específico.
Este ano, pela terceira vez, o tema da campanha é a fome no Brasil. Uma das razões é o fato de o Brasil ter reingressado no Mapa da Fome da ONU. De acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, mais de 33 milhões de brasileiros e brasileiras vivem sem ter o que comer ou não tem certeza se conseguirá comida ou ainda precisa reduzir a qualidade ou quantidade dos alimentos. A falta de acesso regular a uma alimentação adequada por grande parte da população brasileira tem sido um dos principais desafios enfrentados pela sociedade ao longo dos últimos anos. O país havia saído do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014, por meio de estratégias de segurança alimentar e nutricional aplicadas desde meados da década de 1990. Mas voltou a figurar no cenário a partir de 2015, obtendo um especial agravamento ao longo da pandemia de Covid-19 que afetou o mundo todo por dois anos a partir de 2020. A insegurança alimentar precisa ser combatida com políticas públicas eficientes, integradas e com reforço orçamentário e vontade política de trabalhar com o setor privado, a sociedade civil e governos estaduais e municipais. É preciso ampliar os recursos destinados às políticas de segurança alimentar e intensificar os programas de transferência de renda já existentes, com aumento dos valores repassados e do número de contemplados. Além disso, precisam ser adotadas ações para o crescimento econômico. Recursos para empregos, particularmente na infraestrutura, na construção civil, que geram trabalho qualificado e em curto espaço de tempo. Ao tocar mais uma fez no tema da fome, a Campanha da Fraternidade busca despertar nas comunidades a consciência sobre essa situação que já não deveria fazer parte do nosso cotidiano.