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Opinião

A violência entre nós .

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A semana começou com um crime hediondo em uma escola pública de São Paulo: uma professora idosa foi assassinada por um estudante adolescente. Era mais um crime bárbaro que se somava a um inesgotável histórico de violência nacional, que tem como um de seus marcos o fato de termos sido o último país a abolir a escravidão no ocidente. Buling, racismo, preconceitos teriam contribuído para a tragédia. Paralelamente, as autoridades de segurança pública constataram que urdiam-se no submundo das redes sociais outras ameaças de violência em escolas paulistas.

É uma violência que desconhece aquilo que Shakespeare escreveu em Ricardo III: “...o fogo violento se consome depressa/As chuvas finas duram muito/Mas são curtas as grandes tempestades”. A eterna tempestade da violência brasileira se nutriu com a distribuição descontrolada de armas de fogo nos últimos anos: uma elevação de 500%. Inevitavelmente, uma parte desse arsenal passaria para as mãos do crime organizado. Ao contrário de Rousseau, que acreditava que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe, Hobbes afirmava que por trás de cada homem existe um animal violento, que só é controlado pelas contenções sociais do Estado. Como se fosse pouco, existem os estímulos à violência, como o apelo vocal à ela, descrito por G. E. Lessing: “Violência! Violência! Quem não é capaz de opor-se à violência? O que chamamos de violência não é nada. A sedução é a verdadeira violência”. A violência - tão frequente entre nós e que nos traz grande insegurança, vítimas fatais e enormes prejuízos econômicos - foi favorecida nos últimos anos com a sedução de discursos de ódio e as fake news, inclusive contra a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cientistas e médicos que defendiam as vacinas, seguiam a ciência e assim salvavam vidas na pandemia de Covid-19, que nesta semana ultrapassou 700 mil mortos. É infrutífera a proposta de solucionar a violência nas escolas públicas com policiais armados, mas urge a necessidade de expandir e ampliar programas de saúde mental de crianças e adolescentes; ensino e extensão nas escolas para uma cultura de paz e contra o bullying, envolvendo pais, professores, alunos e comunidade; apoio psicossocial para estudantes, professores, pais e a comunidade e monitoramento por inteligência policial preventiva de discursos de ódio na internet. Tornar as escolas mais seguras é possível e urgente, mas requer políticas de paz e não cassetete. Paralelamente, existe a necessidade premente de se debater com absoluta transparência o que se pode fazer, dentro dos limites da Lei, para reduzir os imensos danos que a sociedade sofre com os horrores semeados no submundo das redes sociais.

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