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Por que odiamos o velho e idolatramos o novo?

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Quem nasceu antes dos anos 1990 pode ter experiências de vida diferentes, quando comparadas às das novas gerações, principalmente se pensarmos nos nascidos após 1995, a famosa geração Z. E isso se percebe nas pequenas experiências do dia a dia, como a valorização da calma, a leitura da notícia intercalada entre o físico (jornal) e o dinâmico (rádio/TV), a utilização das redes sociais e por aí vai. Eu, por exemplo, nascido em 1989, tenho memórias da adolescência de quando resolvia marcar algum encontro, por exemplo. Nós precisávamos estabelecer uma confiança mútua porque não havia uma comunicação intermediária. Existia um pacto inquebrável de confiança que fazia com que os encontros acontecessem e, em eventual revés ou desencontro, ficávamos sabendo apenas bem mais tarde sobre os infortúnios.

Ao mesmo tempo que evoluímos em tecnologias e no dinamismo da vida, da busca pelo saber, percebo que começamos a criar repulsa ao que é velho. As coisas se desvalorizam muito rápido e tudo vai perdendo lugar. Sei que, talvez, eu seja um pouco nostálgico, mas minha percepção sobre a vida me faz pensar assim. Quando analiso as novas construções da cidade, hoje em dia, penso que produzimos, cada vez, em escala e criamos um padrão médio sem o brilho do ineditismo, da coragem de fazer diferente em um mercado tão igual. Imagino a coragem ao construir um Copan, ou usando um grande exemplo local, a coragem em construir um edifício Santa Cruz, aqui no Centro Histórico da Capital, um prédio comercial que possui apartamentos generosos na coroa, com, talvez, a vista mais bonita da cidade, um edifício construído entre os anos 1950 e 1960, com estrutura de ferro, toda a tecnologia da época e uma coragem construtiva pouco vista atualmente.

Se o novo, em grande parte, está sem graça e sem personalidade, porque não olhamos o que já existe disponível na cidade e transformamos locais obsoletos, em novos cartões postais? Quantos visuais incríveis estão escondidos por um mau - até mesmo péssimo - aproveitamento do uso de seu potencial? Acredito que a solução não esteja apenas no novo! Existe uma frase que diz: “é necessário voltar ao começo, quando os caminhos se confundem, é necessário voltar ao começo...”. Pode ser que o pronto, o velho, possa trazer novas perspectivas para nosso mercado imobiliário que, convenhamos, anda precisando de autenticidade.

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