Opinião
Medo e violência nas escolas .
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O caso tratado em artigo anterior, em que falei do assassinato da professora Tereza, em uma Escola de São Paulo, não só reacendeu a discussão a respeito da maioridade penal, mas da insegurança e da violência que permeia o ambiente escolar, hodiernamente.
Nesses últimos dias, os noticiários vêm dando conta de reiterados casos, envolvendo ataques a escolas, sendo mais curioso o fato de que, na maior parte, os atores envolvidos são alunos do próprio estabelecimento estudantil. Indubitavelmente, essa ocorrência despertou as autoridades governamentais, mobilizando seus órgãos de execução em segurança. A polícia judiciária (civil), especialmente, foi acionada, criando-se canais de comunicação com as escolas. Entretanto, algumas questões precisam ser levantadas, a fim de que esse problema (que só agora depois d’algumas tragédias), é que passou para a mesa de preocupações das escolas e das famílias. A primeira constatação INCONCEBÍVEL, que só eclodira após os indesejáveis acontecimentos, foi a de que muitas escolas ainda funcionavam sem segurança ostensiva (qual seja, a que pode ser vista com profissionais fardados). Limitavam-se ao segmento de segurança eletrônica, certamente por estarem mais preocupadas em proteger seu patrimônio privado do que a comunidade escolar. Com isso, verificou-se um crescimento da demanda por segurança física, presencial (não virtual) nas últimas semanas, o que só era oferecido por pouquíssimas escolas, que já andavam a frente do seu tempo. Essa contratação, às pressas, por segurança ostensiva escancarou a realidade em que muitas escolas ainda viviam, em que os porteiros e “tias” (já tão atribulados com suas mil e uma tarefas), eram (ab)usados para mais essa atribuição. Outra questão que suscita reflexão é que as escolas particulares, nos últimos tempos, passaram a focar muito mais em “marketing”, através do variado menu de mídias, que passaram a negligenciar a devida preservação da privacidade do corpo discente, a exemplo da divulgação exagerada da imagem de alunos, com o verdadeiro objetivo de promoção da imagem do estabelecimento e visando à aferição de mais e mais lucros. Chega-se ao cúmulo de se adotar fardamento escolar, em que é possível se identificar o aluno, não só pelo nada discreto emblema do estabelecimento, como pela absurda numeração da série em que ele estuda, aumentando os riscos de exposição a sequestros e outros crimes congêneres. Por isso, embora algumas medidas passem, doravante, a ser adotadas, a exemplo de revistas em mochilas (via detectores de metais) e critérios mais seguros na entrada e na saída de pessoas, se não houver uma mudança de hábito perene, essa prática só vigerá enquanto a chuva passar. Advirta-se que, no caso das revistas em materiais, as escolas têm de proceder com o rastreamento real, isto é, nos objetos, e não pessoal, sob pena de incorrer em constrangimentos ilegais, já que essa diligência só pode se dar, em caso de fundadas constatações de posse de objetos no corpo. Ainda assim teria de se respeitar que a revista feminina, se excepcionalmente indispensável, só pode ser feita por mulher. Essas questões ainda renderão muito debate, que não esgotaremos neste Artigo da semana, mas desde já, esclareça-se que a responsabilidade não é só das escolas, mas solidária à família e à sociedade. Não se pode, por exemplo, munir-se da hipocrisia, exigindo que a Escola proteja o filho, quando observamos que crianças, ainda em tenra idade, são liberadas para andarem desacompanhadas nas ruas e estabelecimentos.