Opinião
INTOLERÂNCIA .
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No último domingo, o jogador de futebol Vinícius Júnior foi mais uma vez vítima de racismo durante uma partida entre os clubes Real Madrid e Valencia, no campeonato La Liga, na Espanha. De acordo com a imprensa esportiva, a torcida do Valencia chamou o brasileiro de “macaco” diversas vezes. O árbitro Ricardo de Burgos chegou a paralisar a partida.
O caso, que revoltou o jogador e reações de apoio ao atleta mundo afora, chama mais uma vez atenção para a questão da xenofobia e do racismo na sociedade europeia. A xenofobia – que se caracteriza por uma aversão, preconceito ou intolerância com grupos estrangeiros – é um problema que vem se intensificando ao longo do tempo na Europa. O continente, assim como os Estados Unidos, é um dos locais que mais recebem imigrantes, além de contar com uma elevada migração interna. A LaLiga tem 20 times, com maioria de jogadores estrangeiros e um contingente bem elevado de atletas negros. Os afrodescendentes estão cada vez mais presentes na Europa. Desde 2000, a União Europeia tem vindo a promulgar legislação destinada a combater a discriminação racial e o crime de racismo. Entretanto, eles são alvo de preconceitos e exclusão generalizada e enraizada. A discriminação e o assédio racial são frequentes. Além da questão étnica, a população europeia também se considera ameaçada pelos estrangeiros, com o receio de que eles diminuam a oferta de emprego e atrapalhem a economia. Para especialistas, é preciso atacar as raízes do racismo contra os negros e abordar o legado do passado colonial e da escravidão histórica. Também é necessário lutar contra o discurso de ódio e os crimes racistas de forma mais sistemática. Tanto a legislação quanto práticas, portanto, também devem ser fortalecidas, a fim de garantir a igualdade no acesso à educação, ao emprego, à moradia e à saúde. Entretanto, não basta endurecer a lei. Os esforços na educação são essenciais. Os currículos escolares devem refletir melhor a história e a herança cultural dos afrodescendentes e sua contribuição para o desenvolvimento das sociedades. e isso não vale apenas para a Europa