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Opinião

PRIMEIRO AMOR .

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Estava extremamente tenso. Assim fico, sempre, diante do novo, do desconhecido.

Olhava, de um lado para outro, tentando entender onde e por que ali estava, o que fazia e o que iria acontecer. Tudo era, para mim, estranho, mas deliciosamente estimulante. Curioso que sou, amo o desconhecido e sou desbravador, encontrava-me diante de uma situação, que por não ser ainda conhecida, não me trazia aquela ansiedade desagradável, aquele receio da surpresa. Intrigantemente, experimentava uma sensação diferente, agradável, fora do normal. Eis que, de repente, surge em minha frente, vestindo azul, azul da cor do céu e dos seus olhos, embora morena fosse, aquela figura bela e doce, parecendo vir de outra galáxia, certamente uma deusa, não havia outro adjetivo para qualificá-la. Por alguns instantes, fiquei paralisado diante de tamanha beleza e mal conseguia respirar. Um sentimento novo, envolveu todo o meu corpo, sensação desconhecida, diferente de tudo o que eu havia sentido até então. E não parou por ai. Tentei falar, não consegui, levantar e sair correndo, mas as pernas não obedeceram ao meu comando. Sentia-me como um verdadeiro idiota, com receio de que as pessoas, ao meu redor, percebessem a minha angústia e o meu desespero. Suava de molhar a roupa e tremia ou sentia como se assim estivesse, tremendo da cabeça aos pés. Nunca havia experimentado sensações tão antagônicas revelando-se ao mesmo tempo, pavor e prazer. Sua voz, doce e aveludada, parecendo som de notas musicais, como num passe de mágica, preencheu todo o ambiente e, rapidamente, tirou-me daquele turbilhão de sentimentos em que eu me encontrava. Pude enfim, ouvir o que dizia, naquele momento de silêncio absoluto: meu nome é Estrela e, a partir desse momento, estaremos sempre juntos. Não sabia se ria, se chorasse, não sabia mesmo o que fazer. Estava extasiado, em transe. Nem pensei o que poderia transparecer, se alguém para mim olhasse e meu semblante observasse. Creio que veria um tremendo paspalhão, abestalhado, enebriado por tamanha emoção. Nem sei como reagi e consegui meu nome pronunciar, afinal era uma apresentação e, logo eu, o mais interessado, não poderia permanecer mudo, calado, tinha que fazer valer o direito de me apresentar. Sei que consegui falar e me ouvir dizer: sou o Mar, esse é o meu nome, não me pergunte por que pois, não saberia responder. Ela sorriu e disse: amo o mar. Ele na sua grandeza, na sua imensidão e eu na minha simplicidade, mas, sinto que sou uma estrela do mar. Aquelas palavras soaram para mim como uma declaração de amor, jamais esperada, embora ansiosamente aguardada. Encheram meu coração de esperança, muito mais que isso, fizeram germinar em mim um sentimento novo, desconhecido, tão forte que tomou todo o meu ser. Passei então a questionar, a querer entender, descrever, explicar, mostrar para todos, para o mundo, aquele sentimento forte e profundo que nasceu dentro de mim e que, de tão grande, não cabia dentro do meu peito e, por esse motivo, teria que ser falado, propagado, para que eu conseguisse guardá-lo, sem explodir de emoção. Você, Estrela, me fez conhece o amor puro, sem interesse, sem perspectivas, platônico, na verdadeira expressão da palavra. Aquele que abre o nosso leque de sentimentos, que nos mostra o verdadeiro sentido da vida, que é amar e ser amado. Orgulhosamente, posso afirmar, com toda certeza e segurança, que foi através de você, minha primeira professora, que conheci o meu verdadeiro e PRIMEIRO AMOR.

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