Opinião
CRB e CSA em Istambul .
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O futebol é o esporte mais popular do mundo e o preferido dos brasileiros, segundo todas as pesquisas, sem nenhum menosprezo às demais modalidades esportivas. Elas todas são muito salutares para os que a praticam, mesmo que em prosaicas caminhadas em nossa linda orla marítima ou em práticas de esportes de alta performance, como também para os que as assistem e por elas tem paixões, no caso do futebol, expressadas em seus times do coração, que geralmente vêm da infância. Nós temos os nossos gloriosos CRB e CSA, e eu sou da era pré-Trapichão, quando assistíamos jogos no Mutange do alto do barranco chamado Verdinha e também no antigo campo do CRB, na Pajuçara.
Nélson Rodrigues e Paulo Mendes Campos são dois entre tantos dos grandes cronistas brasileiros que adoravam futebol e escreveram sobre o esporte mais popular do Planeta. Paulo, em sua obra “O Gol é necessário”, na crônica Copa 74, descreve uma missa em Ipanema marcada para uma hora antes do jogo da Seleção. Segundo o autor, muitos só frequentam a Igreja em dia de jogo do Brasil, mas o padre a estava estendendo muito, e os fiéis remexiam-se, inquietos nos bancos. Um senhor, remexeu-se tanto procurando algo nos bolsos até que descolou um cartão amarelo e o acenou discretamente para o padre. O oficiante, ao invés de agastar-se com o gesto profano, sorriu, comunicando, para alívio geral, que ninguém perderia a partida dos brasileiros com os argentinos. Nelson Rodrigues, no livro “À sombra das chuteiras imortais”, descreve que depois da derrota para o Uruguai na final de 1950, o doloroso “Maracanazo”, só perdemos a sensação de inferioridade e nos livramos do pessimismo depois da conquista da Copa do Mundo da Suécia em 1958, quando surgiu para o mundo o Rei Pelé. Registre-se aqui nossa lembrança: ganhamos o bicampeonato no Chile em 1962, sem Pelé, contundido, com uma equipe envelhecida, onde Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, tina 38 anos, e Garrincha ganhou a Taça como protagonista solitário. O futebol mundial tem dois momentos culminantes: um é a final de uma Copa do Mundo e o outro, uma final da Liga dos Campeões da Europa, certame que reúne as equipes mais fortes do Velho Mundo, hoje hegemônico no futebol de clubes, seja isso tanto no aspecto técnico como no econômico. Neste ano a final da Liga dos Campeões ocorrerá neste sábado, 1o de junho, entre Manchester City, da Inglaterra, e Inter de Milão, Itália, no estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, na Turquia, essa cidade encantadora que tem mais de 5 mil anos de história e que já foi sede de pelo menos 3 grandes impérios: o Bizantino, último resquício do Império Romano, o Otomano que quase tomou Viena e o atual. Nessa final sensacional os gloriosos CRB e CSA estarão presentes através de alguns de seus torcedores que, devidamente uniformizados, só sentirão falta das vibrantes transmissões radiofônicas da Rádio Gazeta de Alagoas e de suas brilhantes equipes da OAM. E que ganhe o melhor, embora exista um favorito disparado. Afinal, o esporte bretão deve ser definido em campo com técnica, respeito ao adversário, sem violência, sem maracutaia, e ainda tendo direito a todas as emoções que os esportes nos propiciam.