Opinião
REALIDADE, FICÇÃO – REFLEXÃO .
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“A vida é pra quem sabe viver, procure aprender a arte. Pra quando apanhar não se abater, ganhar e perder faz parte “. ( Rodrigo Leite e Serginho Meriti)
Considerando realidade como algo coletivamente percebido, verdadeiro e ficção, uma criação do imaginário, inventada por pessoas, torna-se fácil entender o antagonismo existente entre os dois conceitos pois, um faz oposição ao outro.
Como então explicar como e de que forma eles estão tão presentes, diretamente ligados às nossas vidas?
Essa música, Clareou, inicia com uma afirmação forte e verdadeira. A vida é, realmente, para quem sabe viver, para quem aprende a arte que é viver. Não é de fácil aprendizado, não é nada óbvio, lógico. Torna-se necessário saber dosar muito bem a ficção e a realidade, tornando a vida possível e fácil de ser vivida. Não se vive unicamente num mundo verdadeiro, da mesma forma que no universo imaginário, irreal.
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O sonho e a ficção são alimentos para a vida e produzem um combustível especial que nos impele a, através da realidade, buscarmos formas para atingir o imaginário desejado.
Talvez agora estejamos começando a perceber a importância do apanhar e do perder. É apanhando que aprendemos a bater e perdendo, descobrimos os caminhos para ganhar.
Não faço apologia à violência. O bater, a que me refiro, não corresponde ao ato físico de reagir agredindo, se bem que em determinados momentos, torna-se até inevitável. Refiro-me ao ato de reagir da forma racional, da forma que melhor nos convém. Com uma palavra, uma atitude, até mesmo com um simples olhar é possível atingir o objetivo desejado, sem o uso da agressão física. Sacudir o psicológico, o emocional dos seres humanos é de fundamental importância para despertarmos o processo de autoanálise, autoconhecimento, tão necessário ao crescimento, ao aprendizado de vida.
O fato de se abater ao apanhar, é uma consequência inevitável. Somos humanos, racionais, sensitivos, reagimos a todo e qualquer tipo de estímulo. Ganhar e perder, faz parte do processo de aprendizagem e não deve ser gerador de desestímulo. Este sim, não é normal e, consequentemente não deve ser alimentado. Deve ser banido o mais rápido possível, evitando danos que poderão gerar consequências nefastas.
É importante, entendermos que somos, por natureza, inexperientes, inconstantes e imprevisíveis. Devemos, entretanto, apostar na nossa capacidade de discernimento e poder de decisão. Estes sim, comandam todas as nossas atitudes, sendo responsáveis por suas consequências. Vamos, então, aprender a viver, estando abertos ao novo, ao inesperado. Viver com expectativa, mas, com parcimônia, evitando exageros, com calma na forma de falar e agir, optando pelo que for essencial para suprir nossas necessidades, sem, entretanto, perdermos o entusiasmo, fundamental para realçar a vida, marcando seus momentos de glória. Se “ a vida é pra quem sabe viver”, vamos, então, aprender, em toda a sua plenitude, aceitando a realidade, que é fato mas, , deixando a ficção agir, provocar perspectivas de mudanças, amenizar a dureza do óbvio, do inevitável e viver a vida, intensamente, acima de tudo e de todos.
“Viver e não ter a vergonha de ser feliz”. Assim disse Gonzaguinha, nessa sábia frase em uma de suas canções.
Vergonha é um sentimento negativo. Não devemos senti-lo, qualquer que seja a circunstância ou o motivo.
Enfrentar sempre, assumir, com altivez, com transparência e verdade, os pensamentos, atos e comportamentos, olhando sempre em frente, sem dar atenção ao que não merece ser considerado.
Aprender a viver, para mim é isso. Deixar de lado a vida do outro, o que eles pensam e viver intensamente a sua própria vida, reunindo, realidade e ficção, criando e valorizando o seu momento de reflexão.