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Lutero (IV)

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Em conseqüência das novas idéias, os camponeses fizeram grandes revoltas em nome do Evangelho, que os reformadores pregavam. Lutero, a princípio esteve do lado deles, mas depois, temendo perder o apoio dos senhores, mandou-os exterminar como ?cães raivosos?. Em meio a tantas confusões nas igrejas e conventos, Martinho casou-se com a ex-freira Catarina de Bora, no dia de S. Antônio de 1525. Justificava que era para evitar que falassem mal dele, porque havia grande número de ex-freiras morando com ele no convento abandonado dos agostinianos de Wittemberg. Teve seis filhos, ignorados pela História. Suas desilusões se acentuaram a partir dos 60 anos de idade, com o aparecimento na Suíça da liderança de Calvino, que se opunha a ele; com Henrique VIII da Inglaterra, que depois de combatê-lo e receber o título de ?Defensor Fidei?, fez seu cisma particular, com o anglicanismo e o fato de os príncipes se apossarem dos bens eclesiásticos em nome das ?novas idéias?. Quando estava para começar o Concílio de Trento, seu ódio a Roma o fez escrever o cáustico ?O Papado de Roma, fundado pelo Diabo?. Em meio a tentações do demônio que ele via em toda parte e grandes desilusões pelo rumo que tomara sua reforma, faleceu a 18 de fevereiro de 1546, sendo sepultado ? ironia do destino ? na festa da Cátedra de S. Pedro em Roma. ?Lutero nunca aceitou de bom grado sua terrível vocação de revolucionário. Seu ânimo escrupuloso, seu temperamento mais para conservador tornavam sobremodo penosa sua posição teológica de demolidor dos dogmas da Igreja? afirma Miegge. Outros colocam como causa principal de sua revolta radical e completa ?sua orgulhosa e insofrida intolerância a qualquer contradição de suas idéias por parte de seus adversários? ? como ele mesmo confessa no prefácio do livro ?De captivitate babylonica? sobre o Papado e as indulgências. Para muitos, o conhecimento adequado do ambiente histórico-teológico, em que se movimentou o monge Martinho Lutero: 1o ? diminui o aspecto de novidade das suas doutrinas, porque encontra seus fundamentos na teologia do fim da Idade Média, da qual foi herdeiro e continuador; 2o - acentua os elementos patológicos de seu caráter e explica em parte suas contradições; 3o - distingue nele o que era exigência religiosa da Alemanha com uma reta aspiração a uma renovação espiritual da piedade ? das fórmulas e modos com que ele as exprimiu e as instituições que criou; 4o - por fim, faz notar os elementos estranhos que interferiram na sua obra de reformador. Assim, unilateralmente, a história pode considerar Lutero - ou como um místico avesso à teologia e expressão viva da alma germânica; - ou então, como um simples destruidor da Igreja e da consciência dogmática. O suspirado Concílio finalmente reuniu-se na cidade de Trento (?in faucibus Germaniae? como se disse; popularmente podemos traduzir ?nas goelas da Alemanha?) de 13 de dezembro de 1545 a 4 de dezembro de 1563, em três períodos, com três papas: Paulo III, Júlio III e Pio IV. Aclarando os dogmas da fé cristã, reprimindo com energia os abusos morais, desde a Cúria romana, bispos, abades e todo o clero, realizou a verdadeira Reforma da Igreja, esperada há dois séculos. (Esses artigos sobre Lutero foram baseados em notas de aula dos autores: J. Marx, Todesco, Paschini, Fliche-Martin, Miegge e Dagoberto Romag). (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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