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Opinião

EVASÃO .

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Terminaram na sexta-feira as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal porta de entrada para a educação superior no Brasil. Desde 2017, o total de pessoas inscritas para o Enem vem caindo desde 2017, mas o recuo se intensificou nos últimos anos.

O recorde de inscritos foi em 2014, quando mais de 8,7 milhões de pessoas se candidataram para fazer as provas. Em 2017, mais de 6,1 milhões de pessoas se inscreveram. Mas, em 2022 esse número caiu para quase a metade, com pouco mais de 3,3 milhões de candidatos. Para especialistas, um dos fatores que explicam essa redução é a dificuldade dos jovens mais pobres de conseguirem concluir o ensino médio, ou o fato de muitos abandonarem os estudos porque precisam trabalhar. Outro fenômeno que ocorreu nos últimos três anos no ensino superior foi o aumento da evasão. No caso da Universidade Federal de Alagoas, foram mais de 7 mil estudantes que abandonaram os cursos. Não há dúvida de que a pandemia teve um papel crucial nesse fenômeno. Além disso, a crise econômica também contribuiu para a desistência, principalmente entre aqueles que entraram por meio de cotas. Estima-se que, em todo o País, de cada 100 jovens afro-brasileiros que entraram nas universidades até 2019, 30 tinham abandonado os estudos por falta de bolsas moradia e alimentação. Com a pandemia, esse número dobrou. Os estudantes mais afetados são aqueles com maior vulnerabilidade social. A crise sanitária agravou os problemas estruturais da educação brasileira, aprofundou a dificuldade de conclusão do ensino médio e provocou maior evasão no ensino superior. A ampliação de políticas públicas de financiamento estudantil é essencial para mudar esse cenário. Atualmente nem 5% dos alunos que ingressam no ensino superior ingressaram por meio de financiamento estudantil. É preciso que esse número seja ampliado para 50% para que o País tenha acesso igualitário e democrático. Sem o acesso à educação por parte dos jovens, o Brasil não poderá ganhar em eficiência e competitividade.

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