Opinião
Os sentimentos na vida
DOM FERNANDO IÓRIO * Os sentimentos constituem a urdidura e a trama de quase toda a caminhada humana. Somos seres racionais, portanto governados pela razão em todos os atos volitivos. Entretanto, vem a psicologia moderna, através de pesquisas profundas, descobrir o valor dos sentimentos ou reduzi-los, quando está provado o importante desempenho que realizam em nossa vida. Em um mundo desconcertante, manipulado, atormentado, torturado, frustrado em que vivemos, necessário se faz consideremos os nossos sentimentos e os dos outros. Não podemos é deixar que os sentimentos nos governem; nós, sim, devemos orientar nossos sentimentos. Sentimentos positivos e negativos vivem lutando dentro de nós. Os positivos devem ser alimentados, fortalecidos, desenvolvidos; os negativos necessitam de policiamento, devendo ser controlados, refreados. Todos temos direito aos nossos sentimentos, quer dolorosos, quer agradáveis, porque sentir tudo o que podemos sentir é prova de que somos humanos. Daí a força do ser humano deve ser medida pela capacidade que tem de alimentar os grandes sentimentos e de orientá-los para o bem. O sentimento envolve todo o ser humano, abrangendo e penetrando o eu profundo. Por isso, não é ele um explodir repentino de emoção, nem mesmo uma excitação nervosa ou impulso biológico. Trata-se daquele manifestar-se de toda a pessoa sobre que espécie de compromisso está realizando com a natureza, com o homem e com Deus. Sendo uma manifestação total, parece-se o sentimento mais com uma nuvem do que com uma gota d?água, é mais um acorde que um toque de uma nota isolada, é mais uma harmonia do que, simplesmente, melodia. Os sentimentos agradáveis têm origem numa sensação de bem-estar, de descanso; já os desagradáveis provêm da fadiga, preocupações, dificuldades de vida que causam mal-estar. Sentimentos agradáveis e desagradáveis lutam dentro de nós. Conta-se que um velho índio descreveu, certa feita, seus conflitos internos: - dentro de mim, disse ele, existem dois cachorros; um deles é cruel e mau, o outro é muito bom. Entretanto, estão os dois sempre, impiedosamente, brigando. Quando, então lhe perguntaram qual dos cachorros iria ganhar a briga... O sábio índio parou, refletiu e respondeu: - aquele que eu alimento. Não há de negar: vencerá aquele sentimento que eu alimentar, que eu promover, durante a caminhada da existência. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS