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Apesar das pressões do governo e dos setores produtivos, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, em reunião na última quarta-feira, decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano pela quarta vez consecutiva este ano e pela sétima vez desde que o índice foi fixado nesse patamar.

Na ata da reunião, o colegiado afirmou que a conjuntura atual segue “demandando cautela e parcimônia”. Na prática, o Copom reconheceu alguma melhora no cenário macroeconômico, mas considerou que ainda não é possível confirmar se haverá algum corte de juros na próxima reunião, em agosto. No comunicado, o colegiado afirmou que conduzirá a política monetária necessária para o cumprimento das metas, sinalizando que a manutenção da Selic por um período prolongado “tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação”. A taxa de juros é um dos instrumentos da política monetária utilizados para o controle da inflação. A pandemia do novo coronavírus, cujo pico ocorreu entre os anos de 2020 e 2021, provocou um aumento generalizado de preços, o que motivou o Banco Central a elevar a taxa Selic para combater a alta inflacionária. Entretanto, muitos economistas têm defendido a redução do índice por entender que a inflação está em trajetória descendente. Se por um lado ajuda a conter a inflação, por outro a manutenção dos juros num patamar tão alto têm impacto negativo no dia a dia do cidadão e também dos empresários, já que influenciam nos juros cobrados em empréstimos, financiamentos e parcelamentos. A taxa de 13,75% inviabiliza, por exemplo, a aquisição de imóveis para milhares de famílias, uma vez que os altos juros resultam em um aumento nas parcelas do financiamento. Parece haver consenso – menos entre os diretores do BC – que a manutenção da Selic está acima do necessário e impõe riscos para a atividade econômica. Espera-se que, com a continuidade do movimento de desaceleração da inflação, o Copom inicie já na próxima reunião o tão necessário processo de redução da Selic.

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