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O anel e o pai

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DOM EDVALDO G. AMARAL * A venerável Basílica do Carmo, casa santa da Rainha e Mãe do Recife, Nossa Senhora do Monte Carmelo, neste último domingo, dia 13 de fevereiro, esteve apinhada da família carmelitana, que fora homenagear um de seus filhos mais ilustres de hoje, dom frei Paulo Cardoso, bispo de Petrolina, no alto sertão pernambucano, celebrando naquela data seu jubileu de ouro de consagração religiosa. Fora ali mesmo, aos pés da ?majestosa Imagem da Virgem do Carmo, padroeira do Recife, diante de seu altar maior,? como dizia o convite, que no dia 13 de fevereiro de 1955, ele fizera sua primeira profissão religiosa na Ordem do Carmelo. Após a homilia, pronunciada por seu irmão, o arcebispo metropolitano de Olinda e Recife, dom José Cardoso, em sugestiva cerimônia, dom Paulo renovou seus votos com um texto apropriado à circunstância, repetindo ao final o texto latino de sua primeira profissão. O que me chamou a atenção foi o fato de ser em latim e incluir após o nome do professo, sua filiação, isto é, os nomes de seus pais. Novidade para mim, porque não conheço em outros institutos religiosos, nem a fórmula em latim, nem a citação da filiação do neoprofesso. O fato a ser notado nesta família caruaruense é que os únicos dois filhos do sexo masculino de Antônio Cardoso da Silva e de Antonina de Melo Cardoso, são ambos religiosos, carmelitas e bispos. Outro fato digno de menção é que, quando dom José foi ordenado bispo em Roma, recebeu de presente do santo padre um anel episcopal, lembrança do Concílio Vaticano II. Como não cabia em seu dedo, ele trouxe para o Brasil e o presenteou ao pai, Antônio. Este, ao receber o significativo presente do filho mais velho, prognosticou: ?Vou guardar este anel para o Paulo, porque ele também será bispo?. O senhor Antonio não teve a alegria de ver nesta terra seu segundo filho consagrado sucessor dos apóstolos, mas o anel episcopal foi guardado cuidadosamente e entregue a dom Paulo, que ainda hoje o usa diariamente. Esses fatos me põem em realce o papel da família na história da vocação sacerdotal e religiosa. É de se colocar na conta dos felizes pais dos dois bispos carmelitas grande parte da gênese e do desenvolvimento do ideal sacerdotal e de total consagração ao serviço do Senhor, sob o manto materno da Virgem do Carmo. A família de sólidos princípios cristãos é o jardim natural onde brotam e florescem as vocações de especial consagração ao serviço de Deus e dos homens. Dizia o sábio Arcebispo emérito de Belo Horizonte, dom João Resende Costa S.D.B.: ?As rosas só desabrocham nos jardins, não nos pântanos ou nos manguezais?. E é assim mesmo. Em via de regra, o surgir e desenvolver-se de uma vocação divina, como é o sacerdócio, exige uma família de sólidos princípios cristãos, de prática religiosa sincera e convicções arraigadas desde o berço nos princípios da moral e do dogma católicos. Sem isso, pode sim, mas por extraordinária intervenção do Senhor, o nascer de uma vocação num meio religiosamente infenso à fé e à prática religiosa. Peçamos com fervor e diariamente que ?o Senhor nos dê os padres de que a Igreja precisa,? mas que a família cristã esteja convicta de que a vocação sacerdotal é um dom especial de Deus, um presente celestial. Dizia dom Bosco (e cito mais uma vez, como já fiz várias vezes): ?A maior honra que Deus pode conceder a uma família é dar-lhe um filho sacerdote.? E: ?Toda vez que um jovem deixa sua casa para ser sacerdote, Jesus Cristo ocupa seu lugar na família.? E dom Bosco conhecia bem o que era uma família cristã, porque a sua era pobre e humilde, mas nela se cultivavam os verdadeiros valores cristãos. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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