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Opinião

Mais pragmatismo e menos palanques .

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Em seu livro “As Ideias Conservadoras”, João Pereira Coutinho cita a história do rei de Piemonte-Sardenha, que perambulava pelas ruas do reino murmurando demencialmente a palavra “ottanttot” (oitenta e oito, em expressão italiana do dialeto de Piemonte). Para o infeliz monarca tudo seria perfeito se o mundo pudesse voltar a 1788, às vésperas da Revolução Francesa, que destronou a monarquia francesa e desestabilizou toda a monarquia europeia da época.

Passando para o Brasil atual, o cenário econômico dá sinais de melhora desde o início da mobilização em torno da aprovação da Reforma Tributária, resultado do empenho do ministro Haddad, de parlamentares, da FIESP e da maioria dos economistas. Observa-se um possível corte de juros no início do segundo semestre, com inflação desacelerando e PIB acelerando. Um novo arcabouço fiscal, que há mais de 30 anos é tema de intensos debates, avança. É fato que o setor fiscal nacional é de uma irracionalidade total. Existem temores concretos, todavia, que os serviços e, em especial, os médicos, já vítimas preferenciais do Leão, sejam ainda mais tributados de que já são.

A economia conduz a política, que se desenvolve dentro de plena normalidade institucional, coisa que o Brasil tanto necessita. Mas na política externa reside uma indesejável questão que ameaça esse cenário: o presidente Lula defender que a Venezuela volte a participar da comunidade e do comércio internacional conta com o apoio do pragmatismo que deve nortear as relações internacionais (não se comercializa com a Arábia Saudita, o Irã e a Rússia?), mas repetir que existe democracia na Venezuela pode até ser discurso apreciado para a militância petista, mas não corresponde à realidade nem atende aos interesses nacionais. A Venezuela teve várias ditaduras em sua atormentada existência, mas a atual, a de Chavez e Maduro, é a mais duradoura. Ela é absolutamente indefensável, como todas as ditaduras.

Lula e o Itamaraty tem quadros suficientes para desenvolver uma política externa pragmática e comprometida com a democracia. E Lula precisa descer do palanque e negociar com a Europa. Existe a previsão de uma produção recorde no nosso agronegócio e paralelamente um possível boicote para os grãos e a carne brasileiros. Já existe uma recomendação europeia para que, a partir de 2024, não se compre produtos colhidos em áreas desmatadas depois de 2020. É um assunto delicado para ser decidido em altas esferas e não se espere que nenhum governo francês vá deixar de subsidiar a sua agricultura, mesmo que essa produção não se torne competitiva no mercado internacional.

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Lula não pode ficar como o rei Sardenha, irracionalmente, em busca de um ilusório paraíso perdido que nunca existiu na Terra e muito menos para quem teve a democracia ameaçada, como foi o nosso caso. Precisamos de mais pragmatismo e menos palanques.

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