Opinião
Tragédia revivida .
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Alagoas vem revivendo nos últimos dias o pesadelo das enchentes que, periodicamente, castigam vários municípios do Estado e deixa um rastro de destruição. Foi assim em 1949, 1969, 1989, 1996, 2000, 2010, 2022 e este ano mais uma vez. Agora, já são mais de 24 mil pessoas desabrigadas e desalojadas.
A prioridade, no momento, evidentemente deve ser o socorro às vítimas. Entretanto, é preciso mais uma ver lembrar que, embora não seja possível lutar contra as forças da natureza, é possível minimizar seus efeitos com obras preventivas e planejamento. Trata-se de uma lição que parece ainda não ter sido aprendida. Nos últimos dez anos, desastres naturais causaram R$ 401, 3 bilhões em prejuízos no país, conforme levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios. O estudo contabiliza os danos com a interrupção do abastecimento de água e energia, em propriedades públicas e privadas, agricultura, comércio e indústria. A seca e o excesso de chuvas são os desastres naturais mais registrados no país. No período analisado, de janeiro de 2013 a fevereiro de 2023, foram 59.311 decretações de situação de emergência. O estudo aponta que 3,4 milhões de pessoas foram desalojadas, 808 mil ficaram desabrigadas e 1.997 morreram. Com as mudanças climáticas, a previsão é que a intensidade e frequência dos eventos aumente, processo que também é agravado com o adensamento da população em áreas urbanas - 85% dos brasileiros já vivem nas cidades. Especialistas apontam que as políticas públicas de mitigação de riscos e desastres precisam considerar a adoção de abordagens integradas estrategicamente para reduzir os deficits habitacionais, conter ocupação em áreas de risco e potencializar a infraestrutura dos municípios para uma gestão de desenvolvimento urbana sustentável e resiliente às mudanças climáticas, além da inclusão de soluções baseadas na natureza que favorecem o equilíbrio climático dos territórios. Se as medidas se limitarem apenas às ações emergenciais, em mais algum tempo vamos assistir novamente às mesmas cenas tristes.