Opinião
Na contramão .
Uma proposta de emenda à Constituição (PEC 31/2023) que tramita no Senado Federal prevê que a União aumentará a cada ano, gradualmente, a aplicação em ciência, tecnologia e inovação, até atingir em 2033 o mínimo de 2,5% do produto interno bruto (PIB).
A questão é pertinente. Estima-se que hoje o Brasil investe em ciência e tecnologia cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) ou até menos que isso. Essa é uma trajetória oposta à de nações como Israel, Coreia do Sul, que hoje investem mais de 4% do PIB nessa área, e de China, Alemanha e Austrália, que também tem priorizado mais essas áreas, com investimentos superiores a 2% do PIB.
A área de ciência e tecnologia foi uma das que mais sofreram queda no volume de investimentos no Brasil. Isso tem levado os nossos pesquisadores a deixar o País. É a chamada “fuga de cérebros”. Os laboratórios do Brasil têm sido um alvo de países que competem por profissionais altamente qualificados. Faltam recursos para pesquisa, oportunidades e condições de trabalho para pesquisadores.
A pesquisa acadêmica no Brasil tem produzido importantes resultados nas mais diversas áreas do conhecimento. No entanto, o país ainda enfrenta diversos desafios no que diz respeito ao investimento em pesquisa. O investimento em ciência e tecnologia no governo federal atingiu o pico em 2013. Daquele ano até 2020, os gastos do governo na área recuaram em mais de um terço.
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Ao assumir o governo em janeiro, o presidente Lula afirmou a intenção de retomar os investimentos na área da ciência e tecnologia. Em fevereiro, os dois principais órgãos de fomento à pesquisa no país, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), anunciaram o reajuste das bolsas de pós-graduação. São medidas importantes, mas ainda insuficientes.
Investir em pesquisa acadêmica no Brasil é uma necessidade urgente para garantir o desenvolvimento sustentável do País. É preciso que o Brasil passe a olhar para a ciência como política de Estado, e não de governo.