Opinião
SOS Nordeste
O Nordeste continua um país à parte, afetado pelas crônicas desigualdades regionais, apesar de inúmeros estudos e advertências feitos ao longo de décadas. Reivindicações essas que resultariam em alguns avanços expressivos, incluindo a melhoria de indicadores econômicos e sociais, com destaque para os índices de mortalidade infantil. Porém, dados baseados no Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como os mais altos percentuais de analfabetismo e ainda de mortes de crianças no primeiro ano de vida do País, bastariam para despertar as consciências dos que tratam os problemas que ainda mais afligem a maioria do povo nordestino com paliativos ou medidas meramente eleitoreiras. A região abriga 28,52% da população do País, sendo de cerca de 34 milhões o total de moradores na área urbana enquanto menos de 15 milhões vive no meio rural. Detém os maiores números do País de crianças de 5 a 17 anos trabalhando (42,2%), de defasagem na escola (84,1%), de mortalidade infantil (41,4 por cada mil nascidos vivos), de analfabetos (23,4%), de pessoas que ganham até um salário mínimo (44,7%). Como uma das conseqüências da ausência de ações voltadas para os investimentos de há muito reclamados, os nordestinos continuam sendo o grupo populacional que mais emigra. Do total de pessoas que saiu de suas terras nos últimos dez anos, 56% eram nordestinos. Desses, 71,2% se dirigiram para a Região Sudeste. Outro resultado da falta de investimentos na área social é o aumento da violência. Só de 1991 a 2000, de cada 100 mil jovens de 15 a 25 anos no Nordeste, 50,7 foram mortos por armas de fogo. No Sudeste o índice foi de 106,2/100 mil e, no Centro-Oeste, 73,2/100 mil. Estes números e outros da realidade do Nordeste seriam ainda mais alarmantes se não fossem os investimentos realizados, principalmente, a partir da criação de organismos governamentais como a Sudene (fundada em 1959 e assassinada em 2001). É hora de se repensar em retomar, em grande estilo, a preocupação com o Nordeste.