Opinião
Construtores de Alagoas (II) .....
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Laurentino Veiga – ex-professor de Economia do Cesmac
Lá vem o acendedor de lampiões de rua/ Este mesmo que vem infatigavelmente/ Parodiar o sol e associar-se à lua / Quando a sombra da noite enegrece o poente! Triste ironia atroz que ao senso humano irrita: Ele que doira noite e ilumina a cidade, talvez não tenha luz na choupana que habita. Tanta gente também nos outros insinua / Crenças, religiões, amor, felicidade/ Como este acendedor de lampiões da rua! Excelso Jorge de Lima (1893 - 1953), médico, poeta, natural da cidade ribeirinha de União dos Palmares.
Em 1930, após desagradável incidente em sua vida, retorna para o Rio de Janeiro. Ali, foi professor de Literatura Brasileira na então Universidade do Distrito Federal e na Universidade do Brasil. Eleito vereador daquela linda cidade em 1948. Em 1935, aderiu ao catolicismo. Com o seu poema “Túnica Inconsútil” galgou o ápice de sua genialidade. Na “Invenção de Orféu” (1930), extrapolou as fronteiras, um sucesso após outro.
Voltou à terrinha para proferir palestra no vetusto Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas sob o tema “Poesia, Revolução, Salvação”. No Rio de Janeiro, despediu-se da vida no dia 15 de novembro de 1953. Deixando variadas produções literárias, quer como contista, romancista, pintor e principalmente, vate de projeção internacional.
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Seus poemas folclóricos, de que o mais célebre e declamado é “Essa Negra Fulô”, considerado pela crítica como uma das peças mais perfeitas de nossa literatura, abordando temas nordestinos e cantam o negro com uma rara riqueza de ritmo. Em 1923, produziu “Comédia de Erros” e em 1927, “O Mundo do Menino Impossível”, que marcou sua adesão ao modernismo.
Em seguidas, compôs “Salomão e as Mulheres” (1927). Seus outros famosos poemas são: “ Novos Poemas” e “ Dois Ensaios” (1929), sendo um sobre Proust (farmacêutico e químico francês, 1754-1826), e outro sobre modernismo. Foi, também, médico da Guarda-Civil em Alagoas, destacando-se como membro da Academia Alagoana de Letras, fundada em 1919.
O palmarino Jorge de Lima foi, sem nenhum extravio de raciocínio, um homem completo nas lides literárias, no magistério superior, nas ciências médicas, como artista da pintura/escultura, na política partidária como deputado estadual na sua terra-mãe, bem como; na Cidade Maravilhosa conquistando uma cadeira na Câmara de Vereadores. Enfim, um literato a serviço do bem comum.