Opinião
Arlindo Chagas
JOSÉ ELIAS * Há dois anos, na UTI da Santa Casa, ao lado do companheiro Leonardo Simões, deixei o hospital e parti direto para a redação da GAZETA para homenagear um grande amigo. Triste, coração partido, fiz um artigo anunciando a morte do publicitário Arlindo Chagas. É que o cardiologista José Wanderley Neto, diante do quadro de saúde irreversível, autorizou à família abrir a sepultura no Parque das Flores. De maneira milagrosa, no outro dia ele se levantou, como o Lázaro da Bíblia e, a partir de então, voltou à vida normal. Deu um drible na morte mas, ontem à noite, ao sentar para saborear uma macarronada, sentiu-se mal e, levado às pressas pela equipe de segurança do Iguatemi, faleceu a caminho do HPS. Robson Rodas, superintendente do shopping, em Brasília, ligou para os amigos comunicando a triste notícia. Bem articulado nos bastidores da política, figura indispensável nas artimanhas do esporte, Arlindo Chagas circulava com desenvoltura nos meios de comunicação. Foi diretor-geral da Rádio Difusora e ganhou do jornalista Noaldo Dantas, por sua língua ferina, o apelido de ?Jornal Oral? porque, por onde andava, sempre havia uma fofoca nova. Nos carteados de Maceió, era presença obrigatória e, na mesa, lotava o auditório que, em clima de expectativa, se divertia muito com suas tiradas hilariantes, estivesse perdendo ou ganhando. Magrinho, verdadeiro corpo de jogador de baralho, certo dia chegou atrasado ao Clube Fênix, onde a turma, concentrada nas cartas, só saía no outro dia cedinho. Todo mundo reunido, iniciado o trabalho, Chagas aparece de visual novo, sandálias nos pés e bermuda bem curtinha. Chamou a atenção dos atletas e, fora da parada, o médico Beron Omena fez um curto comentário, criticando as suas pernas finas: - Canela de Sabiá!!! Depois dos sorrisos generalizados, o deputado Pedro Ferreira completou, aumentando as gargalhadas: - E ainda está inchada... Quem não o conhecia, pensava se tratar de uma pessoa que ninguém levava a sério, por seu jeito brincalhão e irreverente. No fundo, quem conviveu com ele se emocionava com suas ações. Coração generoso, não deixava os amigos atravessarem dificuldades. Pedia ajuda aos grandes para salvar os pequenos. Nessa parceria, o empresário João Tenório, presidente da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e do Álcool, foi seu aliado de fé e esperança. Não negava fogo quando Chagas entrava no seu gabinete tremulando a bandeira dos necessitados. Guerreiro, boêmio, comprava a briga dos fracos e, como exemplo à família e aos amigos, deixa uma biografia de dignidade. (*) É JORNALISTA