Opinião
Evolução da governança corporativa
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A revolução digital impõe a necessidade de permanente transformação/adaptação das técnicas e processos das atividades humanas.
Isso ocorre na educação, com a multiplicidade de ofertas de cursos eletrônicos e à distância; na medicina, com o emprego de robôs na realização de cirurgias; nas finanças, com instrumentos como o Pix e outros que facilitam transações internacionais; bem como a utilização crescente da inteligência artificial.
Até relacionamentos afetivos surgem ou terminam em telas virtuais ou por causa delas.
Quase nada disso estava disponível há apenas dez anos.
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Nesse cenário, as organizações públicas, privadas e do terceiro setor necessitam aprimorar/atualizar a sua governança corporativa, de modo a poder alcançar seu propósito.
Esta semana, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa - IBGC lançou um importante documento, a 6ª edição do seu Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, substituindo a anterior versão, datada de 2015.
A publicação está disponível gratuitamente na internet e merece uma leitura atenta de todos os interessados no aprimoramento da gestão, pois será, sem dúvida, uma das principais referências na literatura especializada.
O processo de atualização envolveu consultas a especialistas e pesquisas junto a diversos códigos de governança de outras entidades internacionais ou multilaterais. Uma das características da nova edição é uma maior ênfase na observância de princípios em vez de proposições prescritivas.
Com o novo Código do IBGC, confirma-se a evolução da governança corporativa em que o objetivo de geração de valor alcança, além dos sócios, as demais partes interessadas
O Código situa a ética como fundamento da governança corporativa e compreende a relação das organizações não apenas com seus parceiros econômicos, mas com a sociedade na qual atua e o meio ambiente.
São definidos cinco princípios de governança corporativa: integridade, transparência, equidade, responsabilização e sustentabilidade, a seguir brevemente sintetizados.
A integridade envolve a coerência entre discurso e prática e previne conflitos de interesses na tomada de decisõe.
A transparência não se restringe a divulgar informações legalmente exigidas, mas também aquelas envolvendo aspectos ambientais e sociais.
A equidade exige um comportamento de diversidade, inclusão, pluralismo e igualdade de direitos e oportunidades.
A responsabilização significa prestar contas e assumir a responsabilidade pelas consequências de suas decisões.
Por fim, a sustentabilidade implica considerar no modelo de negócios o capital humano, social, natural e reputacional e as relações de interdependência da organização com os ecossistemas ambiental, social e econôomico.
Com o novo Código do IBGC, confirma-se a evolução da governança corporativa em que o objetivo de geração de valor alcança, além dos sócios, as demais partes interessadas.